instituto pavão cultural

Exposição mostra as múltiplas faces do desenho

A mostra ainda presta uma homenagem ao modernista Flávio de Carvalho, com a exposição de uma série de cinco reproduções do artista

Da Agência Anhanguera
08/08/2019 às 12:15.
Atualizado em 30/03/2022 às 19:02

O traço como protagonista, com a valorização das representações gráficas que remetem aos primórdios da comunicação humana e constituem a base das artes visuais é a proposta da mostra DESENHO?, que abre ao público no sábado e fica em cartaz até 5 de outubro no Instituto Pavão Cultural, em Barão Geraldo. A exposição inclui trabalhos dos membros de dois coletivos, Urban Sketchers e #Nudesenho, e de quadrinistas, arquitetos e desenhistas que adotam a linguagem em diferentes técnicas e temas. No total, 19 artistas assinam a exposição coletiva.  A mostra ainda presta uma homenagem ao modernista Flávio de Carvalho, com a exposição de uma série de cinco reproduções do artista que integra o livro 32 desenhos - Jeito de ver mulher + Série Trágica, da coleção particular dos curadores do Pavão, os arquitetos Teresa Mas e Mário Braga. A publicação é rara: foi editada apenas uma vez em 1967, com tiragem de apenas 500 exemplares. “Resolvemos incluir as reproduções como homenagem a esse artista tão importante para a história da arte no Brasil, para os arquitetos e para o desenho em particular”, diz Teresa. Ela lembra ainda que uma pintura original de Flávio de Carvalho, Autorretrato, é a obra de abertura da exposição Tinta Sobre Tinta: acervo do MAM no Instituto CPFL, que entrou em cartaz ontem e tem o projeto expográfico assinado pela equipe do Pavão. “O desenho às vezes é tratado como algo menor, mas acreditamos que é a base de tudo. Como representação, pode ser considerado uma das primeiras manifestações humanas: imaginar, planejar e registrar uma ideia. Como registro gráfico, é a expressão de algo que nos impressionou, e o desejo de comunicar essa impressão para além do próprio gesto ou da comunicação oral”, analisa Teresa. Segundo a curadora, a seleção de DESENHO? foi o mais abrangente possível, considerando-se a amplitude da linguagem e abrindo perspectivas de conhecimento e prática por meio das visitas educativas, vivências e oficinas com educadores e os artistas. A mostra apresenta desenhos originais e reproduções em diferentes formatos e suportes, inclusive sketchbook (os cadernos de estudos dos autores). Parte dos desenhos estará disponível para venda (os expostos só poderão ser retirados após a mostra, mas haverá impressões para pronta entrega, assim como alguns livros dos artistas). O coletivo Urban Sketchers, que faz parte de uma rede mundial, tem vários grupos pelo Brasil e em Campinas foi formado em 2018, participa com desenhos da paisagem urbana que visam aproximar as pessoas da cidade em que vivem. Seus integrantes são os arquitetos Flávio Ricardo Melo e Fernanda Bonon; a artista plástica Letícia Lanza, o psicólogo e desenhista Kleberson Moreth e a desenhista Vivian Hackbart. O segundo coletivo participante é o paulistano #Nudesenhos, também formado em 2018. Com oito membros, seu propósito é o desenho do corpo humano baseado na observação de modelos vivos. Como parte da programação, o coletivo virá a Campinas para mediar uma sessão de desenho de modelo vivo no local. A atividade, voltada especialmente a estudantes de desenho e desenhistas, será paga e restrita a maiores de 18 anos (mais informações serão divulgadas nas redes sociais do Pavão). Participam do coletivo a desenhista industrial Beatriz Sayão; o arquiteto e designer gráfico Guen Yokoyama; a desenhista Irmgard Shanner e os arquitetos José Roberto Marinho Bueno, Ana Guitián Ruiz, Lêda Brandão, Lúcia Carvalho e Solange Villanueva Renault. Os quadrinhos também estão presentes na mostra, com obras de Mario Cau e Didi Mamushka (pseudônimo de Beatriz Linhares), artistas visuais formados pela Unicamp. Além deles, participam quatro arquitetos formados pela FAU-SP: Danilo Bressiani Zamboni (DaniloZ), Paulo de Tarso Oliva Barreto (PTBarreto), Beá Meira e Sílvia Bressiani. A mostra contará com atividades interativas envolvendo os artistas. A programação será divulgada semanalmente nas redes sociais do Pavão: @pavão cultural no Facebook e no Instagram. Os artistas “Num momento onde tantos agem de forma irracional, as imagens têm a força de trazer a tona o que muita gente não quer ver. As pessoas não querem saber que uma floresta de milhares de anos está sendo derrubada para extração de minérios, que serão consumidos pela população mundial em semanas. Extrativismo é exploração absoluta, deixa terra arrasada, os governantes estão cultivando desertos e montanhas de lixo para nossos filhos. Meus desenhos são uma espécie de testamento, quero que meus filhos, meus netos, meus alunos e seus descendentes saibam, que eu não fui conivente com esta destruição, que eu gritei”, diz a arquiteta Béa Meira, que desenha paisagens e milita sobre meio ambiente. “Desenhar corpos nus de homens e mulheres é para mim um exercício de apreciação da beleza do corpo humano. Deixo-me afetar por poses de um, dois, cinco ou dez minutos e expresso o que mais me impressiona. Curvas, mãos, sombras, nádegas, luzes, ombros, posturas, pés, gestos ... tudo é estímulo para retratar o que me encanta. Cada desenho que faço é uma tradução livre e poética de um corpo nu. Como artista e como homem, é minha resposta elegante à cultura do erotismo que atribui à nudez um sentido apenas sexual ou pornográfico”, afirma José Roberto Bueno, do coletivo #NuDesenhos. “Eu comecei a desenhar mais seriamente (antes de saber que faria do desenho uma profissão) quando percebi que queria compartilhar e explicar uma compreensão que tinha de determinado assunto, fosse ele arquitetura, corpo humano ou mesmo um roteiro de HQ. Com o tempo essa motivação foi se acentuando e fui descobrindo meios mais eficientes de expressão. Percebi também que o processo estava se tornando algo muito prazeroso, não apenas o objetivo final, mas a pesquisa e um entendimento do tempo dispendido no caminho que foram crescendo em importância. Quando você sente que consegue gastar seu tempo bem com algo que está fazendo, este tempo é um bem aproveitado”, coloca o arquiteto DaniloZ. “No quesito profissional, o desenho é uma ferramenta de comunicação muito forte, possui expressividade e acessa um lugar diferente no expectador.” AGENDE-SE O quê: Mostra coletiva DESENHO? Quando: De 10/8 a 5/10, de quarta à sábado, das 14h às 20h Onde: Instituto Pavão Cultural (Rua Maria Tereza Dias da Silva, 708, Cidade Universitária, Barão Geraldo, fone: 3397-0040) Quanto: Entrada franca

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