O Festival de Choro de Campinas promove amanhã um dia inteiro com apresentações musicais gratuitas e repertórios dedicados exclusivamente ao estilo musical que se tornou patrimônio brasileiro
O trio Chorandeiros, o grupo Espaia Brasa (foto), o duo Guto Almeida & Ricardo Henrique e o Coletivo Quarta do Choro se apresentarão amanhã durante o evento na Praça Durval Pattaro, em Barão Geraldo (Neander Heringer)
O primeiro Festival de Choro de Campinas, que acontece amanhã (dia 5), pretende levar para a Praça Durval Pattaro um grande encontro cultural gratuito e embalado pelo choro, ritmo genuinamente brasileiro, mas pouco divulgado por estar fora do circuito comercial. O produtor Arthur Amaral, da Zumbido Cultural, um dos organizadores do evento, afirma que "Campinas tem grande produção artística de qualidade, com excelentes profissionais, mas justamente por se tratar de um estilo que não é extremamente lucrativo — pois demanda trabalho de formação de público — não há locais sólidos e constantes para se apresentar".
O evento amanhã começa às 11h com seleção musical de choro, mas as apresentações no palco terão início às 14h com a Roda "Quarta do Choro", formada por músicos da cena instrumental. Às 16h, assume o som o Duo Guto Almeida & Ricardo Henrique (bandolim e violão 7 cordas), seguido às 17h30 pelo grupo Chorandeiros, formado por Adriano Dias (violão 7 cordas), Eduardo Pereira (bandolim) e Léo Pelegrin (percussão). O último grupo a se apresentar no dia é o Espaia Brasa, formado por Tatiana Ubinha (pandeiro), Leandro Porfirio (flauta transversal) e Adriano Dias (violão 7 cordas), que sobe ao palco às 19h. O Festival de Choro será encerrado às 21h.
Em um ambiente aberto e descontraído, além das quatro apresentações musicais com repertórios dedicados exclusivamente ao choro, o Festival terá barracas com dez opções gastronômicas, bebidas artesanais, discos de vinil e 20 expositores independentes na feira de economia criativa, além de espaço para recreação infantil. "Esse tipo de evento deveria acontecer todo final de semana, é fundamental dar outras opções culturais com acesso gratuito à comunidade, diferente das opções comerciais que estão fortemente inseridas no grande mercado", comenta Amaral. O festival tem o apoio de produtores, artistas e comerciantes do distrito de Barão Geraldo e região.
Para melhor aproveitamento do evento, os organizadores recomendam que as pessoas levem cadeiras de praia ou cangas e toalhas, para se acomodarem pelo gramado ou debaixo das árvores. O produtor Arthur Amaral comenta que "Barão Geraldo concentra grande produção cultural e artística da região, por isso é quase que inevitável não pensar o encontro das artes em um espaço democrático como a praça pública, reunindo música, gastronomia, cultura em um mesmo local, proporcionando a todos que possam interessar algo além do entretenimento.
PROGRAMAÇÃO MUSICAL
O Coletivo Quarta do Choro, que se apresenta às 14h, é uma proposta não formal de reunir músicos e entusiastas do choro a participar dessa manifestação artística brasileira. A roda Quarta do Choro acontece regularmente no Stout Bar em Barão Geraldo desde 2022, de maneira despojada e também pedagógica, permitindo a participação de artistas experientes e também iniciantes. "Aprender a tocar choro significa vivenciar esses momentos em roda, onde o imprevisto e o improviso surpreendem", dizem os coordenadores do coletivo, os músicos Ronaldo Gomes, Rodrigo Eisinger e Marcio Caparroz.
Os músicos que sobem ao palco às 16h são Guto Almeida (bandolim e violão tenor) e Ricardo Henrique (violão de 7 cordas). O Duo Guto Almeida & Ricardo Henrique une muita sensibilidade em um repertório dedicado à riqueza do choro. Eles celebram mestres como Pixinguinha, Garoto, Jacob do Bandolim e Waldir Azevedo, com releituras envolventes que mesclam tradição e liberdade interpretativa. O violão de 7 cordas e o bandolim — por vezes substituído pelo violão tenor — dialogam de forma fluida, destacando a riqueza melódica e a sofisticação do choro.
O trio Chorandeiros, que se apresenta a partir das 17h30, é formado por músicos apaixonados pela tradição da música brasileira. Com Adriano Dias no violão 7 cordas, Leo Pelegrin na percussão e Eduardo Pereira no bandolim, o grupo traz à cena a energia e o virtuosismo do choro, com arranjos autênticos, interpretando compositores tradicionais como Jacob do Bandolim, K-Ximbinho, Waldir Azevedo e outros. Juntos, os músicos do "Chorandeiros" oferecem uma experiência musical que celebra o ritmo e a melodia que definem a alma do Brasil.
A partir das 19h, começa o último show do Festival, com o "Espaia Brasa", um trio de choro instrumental formado por Tatiana Ubinha no pandeiro, Leandro Porfirio na flauta transversal e Adriano Dias no violão 7 cordas. No repertório, releituras da obra de Pixinguinha, o maior compositor do choro brasileiro, além de músicas de Benedito Lacerda e Chiquinha Gonzaga (tia bisavó da percussionista Tatiana).
E O CHORO, O QUE É?
O choro é um dos mais originais estilos de música, principalmente instrumental, cuja origem remonta o século XIX. Nascido no Rio de Janeiro, o gênero ganhou forte expressão nacional, tornando-se um símbolo da cultura brasileira até se tornar, em 2024, Patrimônio Cultural do Brasil.
Dizem os historiadores que o "pai do choro" foi Joaquim Callado Jr., um exímio flautista mulato que organizou, na década de 1870, um grupo de músicos com o nome de Choro do Callado. Os historiadores concordam, em geral, que o chorinho brasileiro é um estilo peculiar de interpretar diversos gêneros musicais. No século XIX, muitos gêneros europeus como a polca, a valsa, o schottisches, a quadrilha, entre outros, eram tocados pelos chorões de maneira original. Desse estilo de tocar, consolidou-se o gênero do choro.
PROGRAME-SE
Festival de Choro de Campinas
Quando: Amanhã, dia 5, das 11h às 21h
Onde: Praça Durval Pattaro, Rua Francisco de Barros Filho, no Distrito de Barão Geraldo, Campinas
Evento Gratuito
Informações: Instagram @festivaldechorocampinas
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