Diretor quer mostrar as reações a uma obra exibida em diferentes formatos

Igor Capelatto, da Capuccino Produções, de Campinas, está produzindo o documentário 'Cinema - Abismo: a Relação Espectador, Filme e Autor' ( Janaína Maciel/Especial a AAN )
O ambiente ou dispositivo utilizado na exibição altera a percepção e compreensão de um filme? O trabalho não está concluído, mas as entrevistas realizadas pelo cineasta Igor Capelatto, da Capuccino Produções, de Campinas, para o documentário 'Cinema - Abismo: a Relação Espectador, Filme e Autor', mostram que interfere bastante. A proposta do documentário é levar voluntários para assistirem a um mesmo filme em situações e plataformas diferenciadas e depois colher os depoimentos de como perceberam a obra. “Já fizemos algumas sessões em praças, de pessoas assistindo ao filme em dispositivos móveis como tablets, notebooks e celulares e uma sessão na sala do Laboratório da Imagem e do Som da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), um espaço feito para exibições de filmes, mas que tem condições inadequadas. Hoje (sexta-feira passada, dia 18) estamos numa sala apropriada”, diz Capelatto.Na última sexta, cerca de 12 convidados assistiram, no Topázio Cinemas do Shopping Prado, ao filme 'Alice no País das Maravilhas', de Jonathan Miller, uma produção de 1966 em preto e branco. Segundo Capelatto, a compreensão e percepção de detalhes variam de acordo com o dispositivo utilizado e ambiente.“Quem assistiu na sala de projeção, mesmo inadequada, prestou mais atenção ao som, fez comentários sobre a trilha. Já as pessoas que viram em tablets e celulares ficaram mais atentas à legenda. Duas pessoas que assistiram no computador disseram depois que o filme veio sem som”, conta Capelatto. “Sem dúvida, o formato e o ambiente interferem na compreensão e no entendimento do filme.” Segundo o cineasta, filmes para telona devem ser vistos no cinema. “Já o celular e internet são melhores para se ver os filmes feitos para esses dispositivos.”A bailarina Liana Mendes foi uma das voluntárias da sessão no Topázio. “Soube do documentário pelo meu terapeuta, Ivan Capelatto. Sou bailarina e também estou fazendo artes visuais na PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica). Tenho interesse nesse tipo de trabalho. Vai ser interessante”, afirmou antes da sessão. A psicóloga Ana Eloísa Magro Kruger soube do projeto pela internet e resolveu participar junto com o filho Gustavo, de 15 anos. “Parece ser bem interessante. Conheço o Igor, sei que ele é capaz, acredito no projeto.”Após as sessões, a equipe da Capuccino entrevista os espectadores sobre suas impressões sobre a fita. Além dos brasileiros, a opinião de ingleses será registrada. César Leite, integrante da produtora, faz mestrado na Inglaterra e vai aproveitar para realizar algumas sessões por lá também.“Nossa expectativa é de estar com todo o material coletado até final de novembro, mas depende de outros fatores além da nossa vontade. A sessão no Museu da Imagem e do Som (MIS), por exemplo, ainda não aconteceu. Chegou a ser marcada, mas foi adiada. Estamos aguardando novo agendamento”, conta Capelatto. O documentário terá ainda depoimentos do diretor Jonathan Miller, tirados de entrevistas dadas por ele em que fala sobre o que esperava como reação do público. “Isso fará um contraponto com o que o público entendeu de fato”, diz Capelatto. Interessados em participar de futuras gravações podem se inscrever pelo e-mail: [email protected].