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Campinas recebe mostra coletiva de artistas chineses e brasileiros

Atrás da Grande Muralha há uma geração de artistas contemporâneos trazem para a cidade uma exposição variada e inclusiva ; são 70 obras que podem ser vistas até 27 de agosto

Cibele Vieira
02/08/2022 às 13:13.
Atualizado em 02/08/2022 às 13:13

Obra Caci- Dor, em Tupi-Guarani, do artista Phil (Divulgação)

Uma mostra coletiva com 21 artistas, brasileiros e chineses, que convergem para a mesma arte contemporânea, suscitando reflexões sobre o momento atual e a sociedade global. Esta é a proposta da exposição "Atrás da Grande Muralha: Nova Arte Chinesa e Brasileira" que chega a Campinas, onde fica entre 4 e 27 de agosto na Galeria de Arte do Instituto CPFL, com visitação gratuita. As obras (são 70 ao todo) usam diferentes suportes e linguagens, como pintura, escultura, fotografia, azulejaria, instalações, animação e recortes em papel. Os deficientes visuais poderão apreciar a mostra por meio de um audioguia musical com narração das obras-chaves da coletiva, além da experiência tátil em alguns quadros. 

"São trabalhos que traduzem esteticamente a pandemia da Covid-19, as desigualdades da globalização, a fragilidade da matéria, problemas ambientais, a hipocrisia humana e o território estreito e desolador do preconceito", explica o curador da exposição, Clay D'Paula, que também é produtor cultural internacional. Ele conta que a mostra reúne a pouco conhecida diversidade da arte contemporânea chinesa e promove o intercâmbio entre as produções chinesas e brasileiras. A exposição, que já percorreu Brasília e Rio de Janeiro, chega pela primeira vez ao público do interior paulista. Ela reabre os trabalhos culturais do Instituto CPFL, interrompidos desde o início da pandemia. 

O curador revela que neste projeto, não existe separação entre os dois grupos de artistas. "As obras relacionam-se, fluem juntas, como águas de um mesmo rio. É uma arte do aqui e agora". Entre os chineses está Sun Xun, com três trabalhos inéditos na exposição, produzidos durante a sua passagem pelo Brasil, em 2017. Ele é um dos expoentes da nova geração de artistas do país oriental e suas obras têm narrativas de várias sociedades e modos de pensar, ainda que lancem mão de suportes tradicionais, como a xilogravura e a tinta chinesa. 

Angel Hui Hoi Kiu é outra artista chinesa que participa da mostra. Em suas pinturas com tinta chinesa, ela se inspira na Dinastia Ming (1368-1644). Esse foi o período das celebradas porcelanas brancas e azuis, ilustradas com elementos do cotidiano de Hong Kong, como os parques, a flora e a fauna do lugar. Ela também transmuta objetos, ao desenhar e pintar sobre papel higiênico e lenços para assoar o nariz, por exemplo. A exposição apresenta diferentes maneiras pelas quais os artistas utilizam elementos tradicionais da própria cultura, como a caligrafia, a tinta chinesa e os vestígios da pintura realista socialista.

Convergência estética

Para Clay D'Paula, a relação que alguns artistas brasileiros estabelecem com a cultura chinesa é um dos pontos altos da coletiva. "É tão forte que, quando o visitante chegar às salas da exposição, será praticamente impossível para ele determinar se a obra foi criada por um artista chinês ou brasileiro. Há uma convergência estética imensa entre os dois grupos", reforça. "Foi justamente essa confluência cultural que me estimulou a produzir a exposição, que levou quatro anos para ser organizada", acrescenta.

Segundo o curador, as obras foram produzidas em diversas técnicas, mas o recorte em papel (ícone da tradição chinesa) é trabalhado pelo artista Christus Nóbrega, paraibano radicado em Brasília, que fez uma residência artística em Pequim, em 2015. Desse mesmo artista, está exposta também a série inédita "Coleção vermelha", de 2021, que estabelece paralelos entre os povos indígenas do Brasil e da China por meio da cor vermelha. "Graças à mobilidade e à curiosidade intelectual humana nos conectamos, aprendemos, compreendemos e evoluímos com outras culturas. As exuberantes obras de Nóbrega dificilmente poderiam ser materializadas sem a sua imersão no cotidiano chinês", ressalta Clay.

A exposição também apresenta a produção da gaúcha radicada em Brasília, Dulce Schuck Schunck, uma trajetória de mais de 30 anos. Ela expõe a série "Flora do Cerrado" (2012-2021), totalmente impregnada pelo vocabulário chinês. "Minhas obras estabelecem conexões com a cosmovisão milenar chinesa: uma percepção orgânica da natureza, baseada na consciência da unidade e na integração de seus fenômenos", descreve a artista. Algumas de suas obras possibilitam uma experiência tátil para pessoas cegas. "A experiência permite o sentir das linhas, das formas e contornos das obras de arte com as mãos. Isso torna o trabalho mais inclusivo, oferecendo oportunidades para esse público que muitas vezes é excluído de projetos de arte", diz.

Retomada do Instituto

Sediado em Campinas e com uma trajetória de18 anos, o Instituto CPFL permaneceu com as atividades presenciais suspensas por mais de dois anos, sendo retomadas com esta exposição. "Nós desempenhamos um papel importante na democratização do acesso à cultura na Região Metropolitana de Campinas, mantendo um espaço que tem recebido, ao longo dos anos, relevantes exposições em parceria com grandes difusores de cultura nacional e internacional", observa o diretor Mário Mazzilli. Outras atividades da instituição já estão planejadas para serem retomadas, como o Café Filosófico (palestras e séries audiovisuais). A programação está no site: www.institutocpfl.org.br

PROGRAME-SE

Exposição "Atrás da Grande Muralha - Nova Arte Chinesa e Brasileira"

Quando: de 4 a 27 de agosto - de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h e aos sábados, das 10h às 16h

Onde: Galeria de Arte do Instituto CPFL - Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632, Chácara Primavera

Entrada Gratuita

Informações: 3756-8000 e https://agrandemuralha.com 

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