Manguebit em pauta: da tela ao debate

Campinas recebe abertura do Cineclube In-Edit com exibição de documentário

Cantor pernambucano Fred 04 vem para a abertura do Cineclube In-Edit, que exibe nesta quinta gratuitamente o premiado documentário sobre o movimento nordestino​

Aline Guevara/ [email protected]
02/04/2024 às 14:03.
Atualizado em 02/04/2024 às 14:03
Manguebit é um movimento musical surgido em Recife, em Pernambuco, no início dos anos 1990, que se destaca pela combinação original de diversos gêneros musicais, unindo ritmos regionais, como o maracatu, ao rock, hip hop, funk e música eletrônica. Com vários depoimentos, o documentário mostra como um movimento estético, vindo do mangue, aumentou a visibilidade das periferias e manifestações culturais da Região Metropolitana do Recife (Divulgação)

Manguebit é um movimento musical surgido em Recife, em Pernambuco, no início dos anos 1990, que se destaca pela combinação original de diversos gêneros musicais, unindo ritmos regionais, como o maracatu, ao rock, hip hop, funk e música eletrônica. Com vários depoimentos, o documentário mostra como um movimento estético, vindo do mangue, aumentou a visibilidade das periferias e manifestações culturais da Região Metropolitana do Recife (Divulgação)

O documentário “Manguebit”, filme vencedor do In-Edit Brasil 2022, o Festival Internacional de Documentário Musical, será exibido nesta quinta-feira, às 19h, na Sala 800, do Campus 1 da PUC-Campinas. O longa do diretor Jura Capela abrirá o Cineclube In-Edit, iniciativa inédita que traz títulos selecionados do festival gratuitamente para Campinas. A sessão de abertura (liberada a todos os públicos e sujeita à lotação da sala) contará com uma presença bastante especial: o cantor Fred 04, vocalista da banda Mundo Livre S/A e um dos autores do manifesto do movimento artístico ao lado de Chico Science.

“O Fred foi tão importante quanto o Chico para o movimento, teve um papel central, mas como uma pessoa mais reservada, acabou não ganhando o mesmo destaque”, explica Adriano Meneses, idealizador do projeto Cineclube In-Edit. O Manguebit se consolidou como um dos mais importantes movimentos culturais das últimas décadas, unindo música, cinema, artes visuais e literatura. De um grupo de jovens artistas pernambucanos surgiu no Recife de 1991 esse “estado de consciência”, como explicavam, que prezava pela valorização de uma identidade cultural regional nordestina. Esse conjunto de ideias e de produção musical ficou internacionalmente conhecido, principalmente pelo sucesso da banda Nação Zumbi.

“Como o documentário diz, o Recife era considerado um dos piores lugares para se viver, mas o movimento Manguebit fez a coisa acontecer na contramão. Pois fez com que as pessoas quisessem visitar a região para entender como de um lugar tão inóspito e abandonado pelo poder público, os artistas fizeram aquilo acontecer, um movimento com o status de uma das coisas mais criativas e inovadoras desde a Tropicália”, analisa Adriano ao comentar o tom de denúncia das condições da população que a arte Manguebit traz.

O documentário reúne depoimentos de diversos nomes da música brasileira. Além do próprio Fred 04, ele traz nomes como Cannibal, Jorge Du Peixe, Lirinha, Otto, Roger de Reno e Toca Ogan. O filme ainda está sendo exibido em festivais dentro e fora do Brasil.

DEBATE E CINECLUBE IN-EDIT

Após a exibição do filme, que tem cerca de 1h40 de duração, começa o debate com Fred 04, que também conta com a presença da jornalista e colunista da TV Folha, Isabella Faria, que já passou pela CNN e pelo Profissão Repórter, e com a mediação da Profa. Dra. Juliana Sangion, da Faculdade de Jornalismo. Marcelo Aliche, curador do In-Edit Brasil, também estará presente para a abertura do evento.

“A proposta de um cineclube é gerar debate, reflexão, e achamos que tinha tudo a ver com o espaço da universidade, então, estamos promovendo a estreia do cineclube aqui. Mas ele é voltado para todos e queremos que o público externo à faculdade venha”, explica Juliana. Para a professora, que também é documentarista, a importância do evento para Campinas é fomentar o debate sobre cinema e o audiovisual, além de ajudar a formar um público de documentários. “Como os documentários normalmente não chegam ao circuito comercial, dos shoppings, no geral, o público não tem tanto acesso e isso gera uma série de preconceitos de que esses filmes são enfadonhos, não dinâmicos, que só tratam de um tipo de assunto. Isso vem mudando nos últimos anos com os streamings, que têm levado mais audiência para esse gênero. O cineclube vem agregar nessa tendência para que as produções cheguem a mais pessoas, para que se familiarizem e apreciem mais o documentário”, destaca.

Ainda segundo a professora da PUC-Campinas, esse evento vem ao encontro da iniciativa da universidade de expandir cursos na área de audiovisual e cinema.

O Cineclube In-Edit, que tem o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas, vai continuar na cidade com mais exibições de filmes do festival ao longo dos próximos meses. Adriano conta que algumas informações sobre próximos eventos vão ser divulgadas na abertura, mas também é possível acompanhar novidades a partir de seu perfil no Instagram, o @culturaem1minuto.

PROGRAME-SE

Abertura Cineclube In-Edit com exibição do documentário “Manguebit”

Quando: Quinta-feira, dia 4 de abril, às 19h

Onde: Sala 800 da PUC-Campinas, Campus I – Rodovia D. Pedro I, s/n, km 136, Parque das Universidades

Entrada gratuita (sujeito à lotação da sala)

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