Single ‘Meu interior’ é apresentado no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, pela primeira vez, e pode ser ouvido nas plataformas digitais do Instituto Anelo
O cantor e compositor David Sue, que tem transtorno de espectro autista e bipolaridade, é o autor da música ‘Meu Interior’ (Kaique Britto)
A aceitação do autismo foi um processo demorado para David Sue, nome artístico de Matheus Cuelbas de Moura, principalmente pelos rótulos que pessoas nessa condição acabam enfrentando. O cantor e compositor, que tem transtorno do espectro autista (TEA) e bipolaridade, estuda e trabalha no Instituto Anelo. Ele apresenta, pela primeira vez em sua carreira, um single que aborda a sua vivência com essa condição. Dispensando rótulos sobre o espectro, a música inédita "Meu Interior" é lançada hoje — Dia Mundial de Conscientização do Autismo — nas plataformas digitais do Instituto Anelo, inclusive com uma versão em videoclipe.
A letra questiona o que é ser normal, com a intenção de levar qualquer pessoa — independentemente de ser autista ou não — a se identificar. "Normal não passa de invenção", diz um dos versos da canção, inspirada na própria história do cantor, passando inclusive pelo período anterior ao seu diagnóstico, aos 13 anos. Hoje, com 25 anos, mesma idade do Anelo, o artista aborda a sua vivência com essa condição, porém, sem rótulos e buscando mostrar as diferenças e potencialidades de cada pessoa.
A canção nasceu de uma provocação do músico, cantor e compositor Luccas Soares, fundador do Anelo e pai de um menino autista de 5 anos. Ele lembra que sabia da posição de David Sue de não querer usar o autismo como uma "muleta" para se amparar, mas considerou que seria importante ele compor sobre o tema, pela causa e conscientização social. "Não é pelo fato dele ser autista que o Anelo decidiu lançar a canção, mas porque é muito talentoso e a música dele é muito boa", salienta.
"Meu interior" apresenta climas musicais diferentes. "Peguei todas as minhas influências dos anos 70 e botei lá. Além de autista, sou bipolar, então quis ressaltar a montanha russa sentimental dentro de mim", explica David Sue. "Se a arte expressa vida e a vida não é linear, minha arte nunca irá fugir disso", afirma.
Na gravação, feita no Estúdio Anelo, foram usados voz, baixo, piano, violão e guitarra, além de recursos de VST (Virtual Studio Technology) na programação da bateria e cordas, orquestra, sintetizador e Mellotron.
Júlio Oliveira, coordenador do Estúdio Anelo, foi o orientador dessa produção e contribuiu no arranjo e tocando alguns instrumentos. Ele relata que "toda essa aparente “sinfonia” da canção reflete também a estética artística do compositor, que usa o rock progressivo no trecho do conflito exposto na letra, onde o compositor expressa a crueldade como o mundo o olha".
A musicista, cantora e compositora Marisa Molchansky (Brisa) também assina a direção geral do processo de lançamento e comenta um trecho da canção, que diz 'todos nós sentimos a mesma dor'. "Creio que é algo inerente do ser humano, atravessar a jornada com questionamentos, incompreensões e sentimentos ambíguos, e David expressa essa verdade com delicadeza e garra, usando toda sua musicalidade."
O trabalho de David Sue foi divulgado nacionalmente em participação no programa "Caldeirão com o Mion" (Rede Globo) em 2024.
Onde ouvir: nas plataformas do Instituto Anelo: www.anelo.org.br
Facebook e Instagram: @institutoanelo
YouTube: Instituto Anelo Oficial
Linkedin: Instituto Anelo
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