Publicado 15 de Janeiro de 2022 - 11h57

Por Karina Fusco/ Caderno C

Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas

Carlos Bassan

Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas

Os campineiros, sobretudo os apaixonados pela música clássica, aguardam com muita expectativa o anúncio do nome do próximo maestro que conduzirá a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Segundo a secretária de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, a definição deve acontecer nas próximas semanas e a divulgação do regente escolhido pelo prefeito Dário Saadi está prevista para fevereiro.

O páreo começou com cinco candidatos: Alessandro Sangiorgi, Bruno Borralhinho, Carlos Prazeres, Enrique Diemecke e Lanfranco Marcelletti Jr. Todos indicados pelos músicos da Orquestra Sinfônica e da Associação dos Músicos da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (AMOSMC). (Veja mais informações sobre eles, ao lado). No entanto, um deles já não está mais no processo. (Veja abaixo).

Como revela Samuel Brisolla, presidente da AMOSMC, foi a associação que mais uma vez organizou este processo de indicação de maestros ao chefe do Executivo de Campinas. "Digo 'mais uma vez', pois este é o modus operandi de nossa instituição desde o ano 2000, quando o maestro Aylton Escobar foi o indicado por meio de uma lista apresentada pelos professores de orquestra. Assim, todos aqueles que tiveram a honra de ocupar o cargo após a saída do Benito Juarez foram indicados pelos músicos da orquestra", explica.

Brisolla conta que o processo teve início no segundo semestre de 2020, com a convocação dos servidores ativos da Sinfônica para uma ampla e democrática discussão, da qual resultou a elaboração da lista. "Inicialmente, eram 36 nomes. Numa segunda etapa foram 11 e chegamos finalmente a cinco nomes. É necessário dizer que, em toda grande orquestra do mundo, é usual que a indicação de novos regentes seja feita pelos músicos", ressalta.

Um maestro com diversas qualidades

Entre os 66 integrantes da Sinfônica Municipal, também é grande a expectativa para o início dos trabalhos sob a batuta de um novo maestro. "Estamos com o ânimo renovado! Considerando que este processo de escolha iniciou-se ainda em meados de outubro de 2020, no período de campanha para as eleições municipais, e apresentamos nossa lista em janeiro de 2021 à Secretaria de Cultura, a expectativa está grande para a finalização desta etapa", afirma Brisolla.

Ele acredita que a simbiose entre músicos e maestro será benéfica, diante de qualquer que seja a escolha do prefeito. Sobre as características esperadas do novo regente, ele é enfático: "Deve ter respeito à instituição e a seus integrantes, ser um bom gestor, ter competências musicais de excelência e apresentar um projeto de curto, médio e longo prazos à Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas", completa.

SAIBA MAIS SOBRE OS MAESTROS INDICADOS:

Alessandro Sangiorgi

É italiano, mas atua no Brasil desde o início da década de 1990. Regeu orquestras como a Sinfônica do Estado de São Paulo, a Sinfônica Brasileira, Sinfônica da Universidade de São Paulo (USP) e a Sinfônica do Teatro da Paz, em Belém. Atuou na Jerusalem Symphony Orchestra, em Israel, e na Ópera Nacional de Sofia, na Bulgária. Fez turnê pela Holanda e Bélgica com a ópera Nabucco, de Verdi. É o atual regente assistente da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (OSM) e também diretor artístico e maestro titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina/OSUEL.

Bruno Borralhinho

É português, natural de Covilhã, com diversificada atividade artística. É membro da Orquestra Filarmônica de Dresden e diretor artístico do Ensemble Mediterrain, da Alemanha. Já dirigiu a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra de Câmara Portuguesa e a Deutsches Kammerorchester Berlin, entre outras. No Brasil, atuou junto à Orquestra Sinfônica do Paraná e à Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Colaborou com solistas de prestígio internacional como Camilla Nylund, Tara Erraught, Lothar Odinius e Peter Bruns.

Carlos Prazeres

É carioca, filho do maestro Armando Prazeres, que criou a Petrobrás Sinfônica, e sobrinho do produtor cultural Perfeito Fortuna, um dos criadores do Circo Voador e responsável pela Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. É regente titular da Orquestra Sinfônica da Bahia desde 2011 e foi, por oito anos seguidos, regente assistente de Isaac Karabtchevsky na Orquestra Petrobras Sinfônica do Rio de Janeiro. Já dividiu o palco com artistas como Antonio Meneses, Nelson Freire, Heléne Grimaud, Ilya Kaler e Fábio Zanon. Foi convidado por Wagner Tiso para atuar como maestro de sua série MPB & JAZZ e ali desenvolveu uma extensa atividade na música popular, acompanhando artistas como Gilberto Gil, João Bosco, Ivan Lins, Stanley Jordan, Milton Nascimento, Hamilton de Holanda e Yamandú Costa.

Enrique Diemecke

É mexicano, nascido em uma família de músicos. Além de maestro, é compositor e arranjador. Já regeu as principais orquestras do mundo, como a Los Angeles Philharmonic, BBC Symphony, Washington National Symphony Orchestra e Orchestre de L'Ile de France. Conhecido e premiado como um notável intérprete das obras de Mahler. Foi diretor artístico da Ópera de Bellas Artes, no México, nas décadas de 1980 e 1990, onde dirigiu mais de 30 produções de ópera de Gluck para Puccini. É diretor artístico da Orquestra Filarmônica de Buenos Aires desde 2007 e da Orquestra Sinfônica de Flint, em Michigan, nos Estados Unidos, desde 1989.

Lanfranco Marcelletti Junior

É pernambucano, considerado um dos músicos brasileiros mais dinâmicos e versáteis. Iniciou a formação musical em Recife e seguiu para a Europa para estudar piano e composição em Viena e em Zurique. Seu primeiro trabalho foi como regente assistente da Orquestra Sinfônica de Recife. Regeu orquestras sinfônicas na Argentina, Bélgica, Chile, Espanha e Estados Unidos, entre outros países. Dirigiu a Orquestra Sinfônica de Xalapa e foi maestro titular da Orquestra Sinfônica de Aguascalientes, ambas no México. Atualmente, é diretor e regente da Orquestra Sinfônica do Recife.

UMA BAIXA NA RETA FINAL

Dos cinco maestros indicados, um deles já não está mais no páreo. Segundo informações da Prefeitura, Lanfranco Marcelletti Junior agradeceu a indicação, mas declinou do convite. Os demais, aceitaram! Após receber toda a documentação comprobatória dos maestros indicados, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo a encaminhou para análise da Secretaria Municipal de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, que verificará o cumprimento dos requisitos dispostos na Lei Complementar nº 301, de 22 de abril de 2021. O processo caminha e em breve a cidade saberá quem será o escolhido, entre os agora quatro concorrentes.

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Karina Fusco/ Caderno C