Publicado 04 de Janeiro de 2022 - 9h57

Por Cibele Vieira / Caderno C

Marcos Guimarães era um dos poucos artistas que usava a técnica de veladura em suas pinturas

Renato Brunello

Marcos Guimarães era um dos poucos artistas que usava a técnica de veladura em suas pinturas

Ele pintava grandes painéis, fazia esculturas monumentais e usava uma paleta de cores próprias, trabalhadas com elegância e riqueza de detalhes. Era um dos poucos artistas que usava a técnica de veladura em suas pinturas. Seu legado pode ser visto em prédios públicos e também em acervos oficiais e particulares no Brasil e outros dez países. Marcos Guimarães, pintor e escultor campineiro, estava concluindo um livro sobre seu trabalho. Ele faleceu no último domingo (dia 2) e será cremado hoje (4). No sábado (dia 8), amigos e familiares farão uma homenagem íntima com a presença de suas cinzas no entorno do ateliê, localizado no bairro do Macuco, em Valinhos, cidade onde morava.

Sua última obra foi um painel (2mX3m) da Cachoeira da Fumaça, na Chapada Diamantina, que começou a pintar há cerca de 20 anos e concluiu recentemente. Amigos contam que ele estava feliz por acabar o detalhamento do quadro, pois era o único que faltava para incluir no livro. O arquiteto Luiz Antônio Martins Aquino, amigo desde 1978, o tratava carinhosamente por 'Magrão' e comenta que "ele foi pintar em um ateliê novo, mais amplo e especial". Marcos Guimarães morreu em casa, enquanto dormia, e deixa quatro filhos.

Marcos Guimarães nasceu em Campinas, em 1959, filho de agricultor. Mas viveu toda sua infância em contato com a terra e a natureza da fazenda no bairro Macuco, em Valinhos, onde construiu sua residência e seu ateliê de fundição em bronze. Apesar de ter iniciado sua vida artística aos 15 anos, se formou em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde amadureceu sua visão social, filosófica e humanística. Dedicou-se a pesquisar técnicas a óleo, adotou a veladura (verniz sobre a tinta) e pintou em vários estilos, desde o surrealismo até o hiper-realismo, passando pelo clássico.

Em Valinhos, tem três grandes obras instaladas em locais públicos: o painel de 8m fixado no saguão do piso superior da Prefeitura, durante o centenário da cidade (1996), a estátua de Adoniran Barbosa (2008) instalada junto ao Centro de Artes Cultura e Comércio (CACC) e uma escultura na Estação Ferroviária (2011). Em 2019 o Grupo OcupeArte realizou a exposição A imensidão dos sonhos: uma homenagem a obra de Marcos Guimarães. O coletivo classifica sua obra como "um arrebatamento do espectador que se coloca diante de uma pintura sua, numa espe?cie de surrealismo sofisticado, preciso, sem excessos".

Suas atividades artísticas foram estimuladas pelo artista campineiro Aldo Cardarelli, que o orientava informalmente sobre pintura paisagística. Em 1981, recebeu o Prêmio Pirelli Jovem Pintor, com obra exposta no MASP (Museu de Arte de São Paulo). Nesse período participou intensamente de concursos e salões, conquistando premiações no Brasil e outros países. Em 1990, optou por uma dedicação total à pintura e partiu para a Itália, onde cursou desenho e pintura no Palácio Spinelli, além de ter aulas com o professor Leonardo Passeri, restaurador oficial do governo italiano, sobre preparação de telas e suportes, principalmente da época renascentista.

Foi um importante motivador das artes em Valinhos, incentivando movimentos de destaque, como o intercâmbio com artistas cubanos que se instalaram na região na década de 1990. Desenvolveu vários projetos, como o Contemporâmicas Brasileiras (pinturas em grandes dimensões dos Parques Nacionais Brasileiros) e participava do circuito internacional de Escultura Monumental. Possui várias obras em acervos oficiais e particulares no Brasil e no exterior (Itália, Alemanha, Estados Unidos, Cuba, República Dominicana, Argentina, Israel, México e Canadá). Seu trabalho está sendo organizado em livro coordenado por Genivaldo Amorim, publicação que permitirá ampliar o conhecimento sobre seu legado.

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Cibele Vieira / Caderno C