Publicado 29 de Dezembro de 2021 - 9h44

Por Cibele Vieira / Caderno C

Palavras ao Mar foi lançado em dezembro e está disponível para ser assistido pela plataforma TAO.play.com.br

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Palavras ao Mar foi lançado em dezembro e está disponível para ser assistido pela plataforma TAO.play.com.br

Os povos colonizados pelos portugueses têm algumas conexões estabelecidas. O mar é uma delas. A poesia é outra. E, agora, um filme recém-lançado em Campinas mostra como a poesia desses diferentes povos retrata na mesma língua suas lutas e suas dores. Palavras ao Mar foi lançado em dezembro e está disponível para ser assistido pela plataforma TAO.play.com.br (cadastre-se, busque o filme em estreias e assista gratuitamente). O projeto celebra os 500 anos de poesia em língua portuguesa e foi concebido por artistas de Campinas.

De Portugal, a palavra avança pelo mar. Por ela se expressam poetas de Goa, Guiné Bissau, Timor Leste, Angola, Moçambique, Macau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil e cantam as dores, esperanças e lutas do povo. E nessa integração entre sons e movimentos, Sônia Rubinsky conduz o expectador ao som do piano pelas mãos de grandes artistas como Rachmaninov, Almeida Prado, Villa-Lobos, Schumann, Liebeslied. A direção é de Ariane Porto e a fotografia de KK Araújo. A produção reuniu 18 pessoas e 10 empresas.

O filme reúne textos de vários países de língua portuguesa, escolhidos com sensibilidade por Zilda Rubinsky, que assina a dramaturgia e assume com competência e carisma a narrativa histórica e poética. O destaque fica por conta da narrativa musical, concebida e interpretada pela premiada pianista Sônia Rubinsky, vencedora do Grammy Latino e reconhecida mundialmente. Dividindo a narrativa com a mãe, Neide Rubinsky compartilha e une vozes de vários continentes. E a bailarina brasileira Nina Queiróz da Silva - que atua nos palcos londrinos - incorpora e expressa com sensibilidade e beleza sentimentos de povos separados pelo tempo e espaço, porém unidos pela mesma raiz: a antiga Lusitânia.

Homenagem à dona da cena

A diretora Ariane Porto conta que o filme está inserido em um projeto maior, que é o Teresa Aguiar Sempre em Cena. Seu lançamento em 17 de dezembro abriu uma série de comemorações artísticas em Campinas, como os 20 anos da TAO Produções, os 37 anos do Teatro de Arte e Ofício (TAO) e os 55 anos do Grupo de Teatro Rotunda. E o que une todos esses eventos é a figura central de Teresa Aguiar, Comendadora da Ordem do Mérito Cultural do Brasil, batalhadora das artes cênicas e visuais, professora e ativista cultural que mora e trabalha na cidade.

Ela ganhou um documentário de 30 minutos que permite às pessoas que ainda não conhecem sua história entender o que tem por trás de quem busca se expressar através da arte. “Ao conhecer a trajetória desta artista e ativista cultural, a gente entende como a arte forja o ser humano, pois mostra a natureza humana onde mora o artista”, comenta Ariane. O documentário é a primeira parte do filme. A segunda parte, com 56 minutos, é o filme Palavras ao Mar, que foi feito em estúdio e com locações externas, durante a pandemia, patrocinado por um prêmio Proac conquistado por Teresa Aguiar.

O projeto Teresa Aguiar, sempre em cena, inclui também uma exposição sobre a carreira e a obra da diretora e formadora cultural, que fez do interior e do litoral paulistas espaços de criação e transformação através das artes. A exposição pode ser vista no Teatro de Arte e Ofício (Rua Conselheiro Antônio Prado 529). A entrada Franca

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Cibele Vieira / Caderno C