Publicado 22 de Dezembro de 2021 - 9h40

Por Da Redação do Correio Popular

O ator José de Abreu no papel de Nilo, personagem de Avenida Brasil, uma das telenovelas de maior sucesso da Globo

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O ator José de Abreu no papel de Nilo, personagem de Avenida Brasil, uma das telenovelas de maior sucesso da Globo

Companheiras das famílias, sobretudo à noite, as novelas brasileiras completaram 70 anos ontem. Os folhetins que começaram a cativar os telespectadores juntamente com a evolução da televisão, sendo Sua Vida Me Pertence, na TV Tupi, em 1951, o primeiro deles, fazem parte da cultura brasileira. Dois anos depois, a TV Excelsior também iniciou suas produções e em 1965, quando a TV Globo entrou no ar, lançou nove títulos, começando por Ilusões Perdidas, e tornou-se a maior produtora do gênero no país.

Um campineiro fez parte da primeira novela da TV Tupi. Wálter Forster (1917-1996) escreveu e atuou como o mocinho Alfredo, o protagonista da história, contracenando com Vida Alves, Lia de Aguiar e Lima Duarte. Aliás, fez história também, juntamente com Vida Alves, pelo primeiro beijo da televisão brasileira.

Ao longo desses 70 anos de história, foram comédias, dramas, aventuras e histórias de amor que revelaram grandes artistas. Autores e diretores também ganharam notoriedade pelos trabalhos realizados. Alguns se desencantaram com o mundo da fama, como Lidia Brondi, que trocou a carreira de atriz interpretando mocinhas que ganharam o coração do público pela de psicóloga, e outros seguem décadas a fio em elencos dos folhetins, como Lima Duarte.

Mudanças na fórmula

Uma verdadeira paixão nacional, as novelas brasileiras foram ganhando cada vez mais espaço na TV. Emendando um horário no outro, expandindo para outros períodos e reprisando sucessos que deixaram saudades, o produto "formou" noveleiros em todo país. Pessoas que param tudo para estar no sofá acompanhando o desenrolar das tramas, que foram se tornando cada vez mais dinâmicas.

Para se ter uma ideia, a Grande Mentira, que estreou em junho de 1968, ficou mais de um ano no ar. Foram 341 capítulos da trama protagonizada por Cláudio Marzo e Myrian Pérsia, que renderam a ela o título de a novela mais longa. Outro exemplo é Pantanal, um grande sucesso de 1990 na TV Manchete, que já foi reprisado no SBT e terá um remake na Globo no ano que vem. A produção tinha um ritmo lento, em que paisagens da região ficavam por longos minutos na tela, com uma música ao fundo, sem aparecer qualquer personagem. Foram 216 capítulos que fizeram muita gente adiar o horário de ir para a cama.

Atualmente, sobretudo após a pandemia e com a concorrência do streaming, os folhetins brasileiros começam a ficar mais curtos e mais dinâmicos. Um Lugar ao Sol, que ocupa o horário nobre da Globo, terá 107 capítulos. Verdades Secretas 2, apenas 50.

Internacionalização dos folhetinsEsse ícone de entretenimento, que há sete década diverte e emociona, mas também traz à tona temas relevantes que precisam de discussão na sociedade, ultrapassou fronteiras e com isso nossas novelas são vistas em dezenas de países desde O Clone, em 2001. Os folhetins globais chegam a mais de 150 países e já foram traduzidos para 70 idiomas.

Avenida Brasil, exibida em 2012, retratando a ascensão da classe C, é um dos grandes exemplos de sucesso internacional. É a trama recordista de vendas, exibida em 147 países, fazendo com que a atriz Adriana Esteves, que interpretou a megera Carminha, seja reconhecida nos quatros cantos do mundo.

No entanto, o sucesso internacional não está restrito às produções da Globo. As adaptações bíblicas da TV Record ganham fama no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Tudo isso mostra que as novelas ainda têm vida longa, já que continuam sendo um entretenimento popular e atrativo mundo afora.

Curiosidades sobre as primeiras novelas

-Sua Vida Me Pertence, na TV Tupi, era exibida ao vivo, duas vezes por semana e teve apenas 15 capítulos;

-2-5499 Ocupado foi a primeira novela da TV Excelsior, em 1953, e também a primeira com exibição diária

-A primeira Novela da TV Globo foi Ilusões Perdidas, protagonizada por Leila Diniz e?Reginaldo Faria, em 1965

Campinas como cenário

-A Lei do Amor", exibida em 2016, usou como cenário a Praça Carlos Gomes, no centro da cidade.

-Esperança, em 2002, e Escrava Isaura também usaram os históricos vagões para contarem as histórias de seus personagens.

-Terra Nostra, em 1999, e Cabocla, de 2004, foram algumas das 20 novelas que usaram os vagões da Maria Fumaça, que faz o passeio de Campinas a Jaguariúna, para ambientar suas histórias.

-Salve-se Quem Puder, exibida em 2020, levou parte de seu elenco para gravar cenas no Aeroporto Internacional de Viracopos, como se fosse o Aeroporto Internacional de Cancun, no México.

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