Publicado 25 de Novembro de 2021 - 9h59

Por Karina Fusco/ Caderno C

Lady Gaga vive Patrizia Reggiani, mandante do assassinato do ex-marido Maurizio Gucci: muitos elogios pela atuação

Divulgação

Lady Gaga vive Patrizia Reggiani, mandante do assassinato do ex-marido Maurizio Gucci: muitos elogios pela atuação

O universo da moda esta nas telonas brasileiras a partir de hoje e deve atrair apaixonados por cinema, história e alta costura. É a estreia de Casa Gucci, filme inspirado na história real do verdadeiro império construído pela família responsável pela famosa casa de moda Gucci, na Itália.

Baseado no livro The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed (Casa Gucci: Uma História de Glamour, Cobiça, Loucura e Morte), de Sara Gay Forden, o longa é estrelado por Lady Gaga e tem outros grandes nomes no elenco, como Al Pacino, Adam Driver, Jared Leto, Salma Hayek, Jeremy Irons e Jack Huston.

No filme de Ridley Scott, cineasta quatro vezes indicado ao Oscar, e roteiro de Roberto Bentivegna, é explorada a história de amor, traição, vingança e decadência, o que desencadeia o assassinato do empresário Maurizio Gucci, que era diretor da famosa grife italiana e seria o herdeiro, já que era filho de Rodolfo Gucci. São retratadas três décadas dessa história que evidencia, ainda, o que um nome significa, o que vale e quão longe uma família vai para se manter no controle.

Gaga dá vida a Patrizia Reggiani, a mandante do assassinato do ex-marido Maurizio Gucci, interpretado por Adam Driver. O crime aconteceu em 1995, quando a vítima tinha 46 anos, e Patrizia, que chegou a afirmar que seu ex-marido não merecia viver, passou 18 anos presa. Sua sentença, que determinava prisão por 29 anos, foi reduzida sob alegação de suas filhas de que um tumor cerebral afetou sua personalidade e que isso a fez encomendar o crime.

A atuação da cantora foi muito elogiada, inclusive por companheiros de cenas, por emocionar, levar imprevisibilidade e interpretar com grandeza uma pessoa que está no limite em um universo de muita sensualidade, forte atração física, intensidade na relação e luxúria.

Sucesso pelo mundo

Aconteceu em Londres, no dia 9 de novembro, a primeira exibição de Casa Gucci. Tão grandiosa como a esfera da produção, foi a pré-estreia, que reuniu o elenco principal do longa-metragem, em um evento que foi transmitido ao vivo pela rede social TikTok.

O filme entra em cartaz na mesma época da comemoração pelos 100 anos de criação da marca Gucci. A expectativa é de que possa alcançar US$ 20 milhões de bilheteria nos Estados Unidos. No Brasil, também se espera que a história atraia milhares de pessoas às salas de cinema nas primeiras semanas de exibição.

"Em 1921, Guccio Gucci (por isso o GG da Gucci) de família humilde, filho de um artesão de couro, venceu as adversidades para dar origem a um império. Aos 40 anos, ele ainda se encontrava de emprego em emprego, nos mais diversos ramos, até que, observando as bagagens e detalhes das roupas dos hóspedes de um hotel em que trabalhava, munido ao conhecimento técnico que adquiriu numa fábrica de couros, depois de quase duas décadas ele lançou a Gucci.

Com muito trabalho e jogadas estratégicas em determinados períodos, a Gucci teve ícones como Audrey Hepburn, Grace Kelly, Jackie Kennedy, Madona, Tina Tunner e outros tantos da realeza e de Hollywood para levar sua marca ao alto escalão da alta sociedade e da moda.

Entre muito trabalho e altos e baixos promovidos pelos escândalos familiares, incluindo golpes e assassinato, a Gucci passou por muitas fases, onde em determinado momento se viu com sua capacidade criativa e o caixa da empresa abalados. Foi onde um grupo de investidores comprou a marca fechando assim, oficialmente, a participação da família fundadora.

Tom Ford, que já trabalhava na empresa, assumiu finalmente o controle criativo trazendo assim novas ideias com um shape ultra sexy em decotes vertiginosos com alfaiataria em materiais sofisticados. Apesar da estética provocativa que dividia opiniões, o sucesso da marca sob a tutela ousada e subversiva de Tom Ford foi indiscutível e catapultou a Gucci de volta aos tempos áureos.

Em 2004, ele deixou a marca, sendo substituído por Frida Giannini, em 2006. Porém, apesar de em longos nove anos ter obtido algum êxito comercial, ela não conseguiu definir a identidade da marca, passando por altos e baixos e sendo substituída às pressas por Alessandro Michele.

Ele, que já fazia parte da marca por 12 anos, quando assumiu a criação trouxe a combinação de um maximalismo nostálgico, que honra o legado histórico da Gucci, mas adaptado para os tempos modernos tornando a Gucci novamente atraente e relevante para uma nova geração exigente e ultraconectada. Michele mistura arte renascentista, street style, esportes e cultura geek e organiza-as de forma única, onde apesar do ar retrô repaginado, se mostra completamente antenado e preocupado com a sustentabilidade com ações de inclusão e representatividade. É justamente essa combinação de reputação centenária como marca de luxo e o talento para captar o espírito do tempo, dialogando diretamente com os jovens, que proporciona o seu sucesso estrondoso.

Durante a pandemia, a Gucci anunciou a saída do calendário tradicional de moda, com a decisão de apresentar apenas duas coleções por ano, contemplando as propostas para moda masculina e feminina, sem estação definida e em formatos diferenciados. Completamente inserida no digital, se mostra uma das marcas com maior presença nas redes onde, apesar da imagem de grife de luxo "old school" e artesanal, se mostra totalmente antenada e moderna".

Camila Diniz, Consultora de Moda

Escrito por:

Karina Fusco/ Caderno C