Publicado 13 de Novembro de 2021 - 10h12

Por Do Caderno C

O muralista Alexandre Filiage escolheu um muro de 185 m² da Av. Aquidabã para criar sua visão da Mata Atlântica

Arquivo pessoal

O muralista Alexandre Filiage escolheu um muro de 185 m² da Av. Aquidabã para criar sua visão da Mata Atlântica

Foi pintando a parede de uma casa rodeada por árvores, em Valinhos, que o artista plástico e muralista Alexandre Filiage, de 56 anos, começou a pensar na extensão da Mata Atlântica e nos animais que nela vivem. Conversando com a esposa, Patrícia, que é bióloga, e pesquisando mais sobre o assunto, ele soube que a Mata Atlântica está presente em quase metade do território, inclusive na região de Campinas, que 70% da população brasileira mora em região da Mata Atlântica, e que infelizmente, hoje apenas 7% da reserva original existe.

Pensando que o homem invadiu o bioma, construindo muros e casas para morar, e também querendo chamar a atenção das pessoas sobre a importância e a urgência de preservar o que resta, ele criou o projeto Muros na Mata Atlântica, com a proposta de trazer a exuberância da natureza por meio da pintura em muros das metrópoles e celebrar a biodiversidade. "É uma visão meio poética de trazer a Mata Atlântica de voltanao seu lugar de origem", ressalta.

Ele conta que o projeto nasceu em 2015, quando pintou muros de 10 cidades do estado de São Paulo, com apoio do Programa de Ação Cultural (Proac). Agora, é em Campinas que o artista plástico dá início a uma nova temporada de pinturas em muro sobre a Mata Atlântica, viabilizada pela Lei Rouanet, de incentivo à cultura.

Ontem, ele começou a trabalhar em um muro de 185 m<MD+>2 localizado na Avenida Aquidabã, entre as pontes das ruas Irmã Serafina e Boaventura do Amaral, no sentido Bosque dos Jequitibás, situado em uma área remanescente de Mata Atlântica. Ali, ele reproduzirá espécies da flora e da fauna do bioma, utilizando uma paleta de cerca de 20 cores, entre tons básicos e nuances, e aproximadamente 30 litros de tinta esmalte sintético à base de água, que protege superfícies externas ao mesmo tempo em que é mais amigável ao meio ambiente, e terá uma semana para concluir o trabalho, contando com boas condições climáticas. "São dois animais realistas em preto e branco e um grafismo estilizado e bem colorido, fazendo um contraste", descreve.

Interação com os passantes

As pessoas que passarem pela Aquidabã nos próximos dias poderão acompanhar a evolução do trabalho do muralista. Ele conta que é comum os moradores das regiões onde ele executa seus murais pararem para conversar sobre o trabalho dele e falarem do impacto visual que a arte traz para os muros e da mudança da paisagem.

Ao terminar, sensação de realização será certeira, como ele prevê. "É muito prazeroso ver o projeto pronto em uma grande dimensão. Até então, tenho ele só no papel", afirma.

Depois de Campinas, outras nove cidades em quatro estados receberão os murais multicoloridos de grande porte de Filiage que celebram a biodiversidade. São Paulo, São José do Rio Preto, Curitiba, Foz do Iguaçu e Gramado são algumas delas. Ele revela que em cada cidade serão pintados animais diferentes, uma vez que ele tentou retratar aqueles presentes na região, quando possível.

Três décadas de arte

Alexandre começou sua carreira no universo das artes atuando como ilustrador publicitário em São Paulo. Em Madri, na Espanha, onde morou ao longo de nove anos, ele se encantou com os painéis pintados à mão e fez uma imersão em um estúdio local para aprender mais sobre as técnicas. "Comecei a praticar em casa. Eu pintava em uma parede e depois cobria de branco e fazia outro desenho e assim foi sucessivamente até que comecei a fazer murais para os clientes. De forma natural, fui diminuindo a dedicação à ilustração e hoje 90% do meu trabalho é com mural", diz.

As plantas e animais são temas comuns abordados nas obras do muralista de Campinas apaixonado pela natureza. Todo o seu trabalho tem a influência da pop arte e da ilustração norte-americana.

Alexandre ressalta que o projeto Muros na Mata Atlântica está alinhado com a Agenda 2030, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Organização das Nações Unidas (ONU), e em particular com os compromissos que estipulam o uso sustentável dos ecossistemas terrestres.

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