Publicado 23 de Outubro de 2021 - 10h50

Por Da Redação do Correio Popular

Com o lançamento do álbum Em Mim, que expõe vivências e propõe um diálogo sobre tudo o que está acontecendo no mundo, Marília considera o momento como a conclusão de um ciclo e o início de outro

Adriano Rosa

Com o lançamento do álbum Em Mim, que expõe vivências e propõe um diálogo sobre tudo o que está acontecendo no mundo, Marília considera o momento como a conclusão de um ciclo e o início de outro

Foi fazendo um mergulho dentro de si e colocando para fora ideias, questionamentos e indignações, que a cantora, compositora e instrumentista campineira Marília Corrêa concluiu o seu primeiro álbum intitulado Em Mim, gravado e produzido de forma independente. O lançamento aconteceu na última sexta-feira, com um pocket show e a disponibilização do conteúdo nas plataformas digitais.

O trabalho, que ela define como “resistência”, traz sete canções autorais e é a concretização de um projeto que nasceu em 2012, quando a cantora decidiu dar vida às canções que ela escrevia. “Gosto muito de ler, de poesias e de filmes. Como eu tinha algumas coisas escritas, vi que eu não queria trabalhar apenas como intérprete. Nessa caminhada, conheci o baixista Marcelo Cruz, que é um amigo-irmão e também gosta do trabalho autoral e de trilhas de filmes. Em algumas conversas, resolvemos colocar em a ideia em prática”, revela.

As duas canções que Marília já tinha escrito - Josias e Jogo Imundo (essa segunda acabou não entrando em seu álbum de estreia) - foram o pontapé inicial do que seria a realização de um sonho. Ao longo do segundo semestre daquele ano, ela e Marcelo Cruz se dedicaram à produção das duas canções no estúdio que o baixista tinha em sua casa, em Hortolândia.

Tudo caminhava bem até que em janeiro, após a pausa de fim de ano, o amigo telefonou pra cantora e contou que sua casa havia sido assaltada e entre os objetos roubados estavam instrumentos musicais e o HD externo com o trabalho que eles já tinham feito. “Foi um baque porque tínhamos nos dedicado muito, selecionado timbres, explorando o universo da criação de arranjos. Então, resolvi não prosseguir com o projeto e voltei a me apresentar como intérprete”, revela.

Pedras no caminho

Quem conhece Marília Corrêa pelas apresentações marcantes e interpretações singulares de clássicos da MPB, da música pop e da blackmusic nacional já poderia imaginar que seu projeto de disco autoral não ficaria muito tempo engavetado. E foi o que realmente aconteceu.

Em 2015, ela e Cruz conversaram e decidiram retomar o projeto. Marília conta que na época, o baixista trabalhava no Groove Arts Studio, de Eduardo Balbino, que tem produções com Emicida e Caetano Veloso, então, a ideia foi conversar com o produtor, uma vez que eles já tinham ideia de como seriam as duas primeiras músicas. “Foi quando surgiu a terceira música, Onde está o Amor?, mas como era um projeto independente, de edição personalista e a verba para continuar foi ficando escassa, fiquei desanimada e resolvi abrir mão da caminhada de artista independente por causa das dificuldades”, relata.

Mesmo sendo mais uma vez engavetado, o projeto não morreu, até que em 2017 Marília tomou a decisão de escolher um estúdio para trabalhar. “Pesquisei muito e cheguei até o produtor musical Maurício Cajueiro. Marcamos um café e ele me passou um orçamento para a produção dessas três música, mas não tinha ideia de como pagar”, diverte-se.

O drama acabou com a conversa com o proprietário do Bajubar, que funcionava na Avenida Andrade Neves. Ele se ofereceu para patrocinar a “demo” porque acreditava no trabalho da artista campineira. Marília viu que aquela conversa não era só um papo de fim de noite e se sentiu segura para seguir em frente. “Voltei no estúdio do Cajueiro e as três canções, que a princípio iriam compor um EP com quatro músicas, se transformaram no álbum com sete canções”, conta.

Com o lançamento do álbum Em Mim, que expõe vivências e propõe um diálogo sobre tudo o que está acontecendo no mundo, Marília considera o momento como a conclusão de um ciclo e o início de outro. “Foi um trabalho totalmente baseado na resistência, com grandes dificuldades pelo caminho, mas aqui está o álbum lançado quando eu estou completando 13 anos como profissional da música”, comemora.

Enquanto Marília aguarda definições de negociações para fazer um show para mostrar para o público o suas composições, muita coisa vai acontecer. Além do lançamento do álbum, serão divulgados o videoclipe da canção À Meia Luz e o novo site oficial da artista. E tem mais, como ela adianta, em breve será a vez de lançar um mini documentário. Ou seja, vem mais por aí!.

O álbum Em Mim pode ser conferido na íntegra nas plataformas digitais de streaming: YouTube, Spotfy, Deezer e Apple Music.

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Da Redação do Correio Popular