Publicado 21 de Outubro de 2021 - 11h59

Por Cibele Vieira / Caderno C

Obra em xilogravura batizada de C’Est Toi, C’Est Moi, de Luisa Almeida

Jailson Leal

Obra em xilogravura batizada de C’Est Toi, C’Est Moi, de Luisa Almeida

Entalhar a madeira, conhecer suas entranhas e extrair dela todo seu potencial expressivo. Ultrapassar a dureza do tronco para produzir gravuras leves, delicadas, de formas ágeis. A xilogravura, muito utilizada na literatura de cordel, é o destaque da nova exposição que chega esta semana no Espaço Galeria do Sesi Amoreiras. Xilograficamente é o nome da mostra que reúne 18 obras de grandes formatos produzidas por oito jovens artistas que pesquisaram cores, formas e tridimensionalidade para aplicar à técnica de gravar imagens em madeira. O resultado pode ser visto no período de amanhã a 11 de dezembro, com entrada gratuita. A visitação acontece de terça a sexta, das 9h às 20h, e nos sábados, das 9h às 19h - exceto feriados. Mas é necessário realizar agendamento prévio de ingressos gratuitos pelo site www.sesisp.org.br/eventos

Com curadoria de Célia Barros, a exposição conta com obras de Fernando Melo, Gabriel Balbino, Igor Santos, Julia Bastos, Kamila Vasques, Luisa Almeida, Rafael Toledo e Santidio Pereira. "Gravar uma madeira implica lidar com a rigidez e resistência do material, além dos veios que aparecem. Cada madeira oferecerá diferentes características e adversidades, que inevitavelmente se farão visíveis na obra. Apesar disso, dependendo do modo como o artista se adapta à matéria e extrai dela seu potencial expressivo, conseguem-se gravuras de uma leveza e agilidade a princípio inimagináveis", explica a curadora Célia Barros. A xilogravura, técnica que usa a madeira como matriz para a reprodução da imagem gravada sobre o papel ou outro suporte, é um processo parecido com o carimbo e foi criada pelos chineses no século 6.

A maioria das obras expostas tem formato grande (2m X 1,5m) - algo incomum nessa arte - e são fruto de pesquisas com variados formatos e novos materiais. "Esses jovens artistas brasileiros exploram uma técnica tradicional com desdobramentos inovadores", revela a produtora Marta Masiero. Eles reproduziram cenas do cotidiano, paisagens, animais, corpos femininos e também tipografia. "É uma exposição com muita diversidade e muito rica, pois estamos falando de uma técnica que exige esforço para escavar a madeira e extrair dela um desenho expressivo, e os formatos grandes impactam bastante", ressalta Célia.

A exposição é itinerante e pode ser acompanhada pelo Instagram.com/expo_xilograficamente/

Fernando Melo: aprendeu xilogravura de modo intuitivo e espontâneo, aos seis anos de idade. Sua arte é ligada ao cotidiano, enfrentando as dificuldades de quem resiste na favela. Tem um desenho solto, com arquitetura densa e misteriosa.

Gabriel Balbino: com formação em tipografia, xilogravura e desenho, é membro do coletivo Xiloceasa, formado em 2005 por adolescentes que residiam nas redondezas do Ceagesp. Em suas gravuras, explora a sobreposição e o contraste de cores fortes.

Igor Santos: praticante desde os 8 anos de idade, ele desenha diretamente na madeira, aproveitando os veios e brincando com o enquadramento da imagem, dotando-a de equilíbrio e movimento. Suas criações focam principalmente os animais.

Julia Bastos: suas gravuras fundem elementos da estrutura humana com os do mundo vegetal, em uma analogia com a morfologia feminina e os espinhos que as plantas desenvolvem para se defender.

Kamila Vasques: interessada pela forma da letra, o tipo ou fonte - representações gráficas dos sons e das falas - criou um painel de letras, que embora impossível de ser traduzido convida o público a refletir sobre a história da escrita

Luisa Almeida: o aspecto performático atravessa todo o seu processo de criação e escavação da madeira, que, pelo grande formato de suas obras, exige uma performance corporal para poder observar o estado da obra, principalmente na hora de imprimir.

Rafael Toledo: explora a sobreposição de planos criados em transparência nas técnicas impressas com desenho e pintura, e usa diferentes suportes para a xilogravura. Na obra Chuva Ácida, repete o uso de algumas matrizes, em formato que remete a gota.

Santidio Pereira: nas oficinas artísticas desde os 8 anos de idade, sua obra é marcada pelo uso de diversas matrizes e camadas espessas de tintas agrupadas por impressões sobrepostas em paisagens, pessoas, animais e memórias afetivas

EXPOSIÇÃO XILOGRAFICAMENTE

Sesi Amoreiras - Av.das Amoreiras, 450 - Parque Italia

Período: de 22 de outubro a 11 de dezembro

De terça a sexta, das 15 às 20h e sábados das 9h às 19h, exceto feriados

Entrada gratuita com agendamento de visitas pelo sistema Meu Sesi (https://www.sesisp.org.br/eventos)

Escrito por:

Cibele Vieira / Caderno C