Publicado 10 de Outubro de 2021 - 11h07

Por Da Redação do Correio Popular

Artistas contam como está sendo voltar aos palcos

Divulgação

Artistas contam como está sendo voltar aos palcos

O setor cultural foi altamente impactado pela pandemia de Covid-19. Teatros, centros culturais, casa de shows e bares tiveram que baixar as portas e os artistas, consequentemente, se viram obrigados a fechar suas agendas. Mais do que não poder se expressar, eles viram qualquer possibilidade de ganhar dinheiro se limitar ou simplesmente desaparecer. Foi preciso resiliência, esperança por dias melhores e principalmente atitude em busca de novas alternativas. Conversamos com quatro desses “solistas da pandemia”, que contaram como se viraram nesse período e como está sendo a retomada. Em comum, tiveram que se reinventar e não cruzaram os braços para, pelo menos, manter o nome em evidência na mídia. Veja o que eles dizem.

“Fui me reinventando, entrando em editais que tinham a internet como escopo e também fui criando meios de ficar em evidência, afinal, quem não aparece não é lembrado. Uma das iniciativas da Companhia O Mundo da Lua, da qual eu sou fundador, foi criar um canal no YouTube e postar algumas coisas, com produção bem caseira. Criamos uma programação com poemas de Fernando Pessoa, Mário Quintana, Manoel de Barros e Getulio Grigoletto. Eu fiz tudo, da gravação, atuação até a edição. Pus a mão na massa. Foi uma experiência interessante. Está tendo uma repercussão muito bacana. Tem trabalhos de poetas da cidade que muita gente não conhecia. Foi um período muito difícil, mas trouxe muito aprendizado e novas oportunidades.”

Valdo Matos, ator e palhaço

“Eu vim de uma gestação complicada, que exigiu repouso. Quando comecei a voltar para os palcos, veio a pandemia. Sou cantora há 26 anos e me vi sem outra forma de trabalhar. O salário do meu marido foi cortado. Passamos por uma dificuldade enorme. Comecei a fazer lives semanais que se iniciaram tímidas e caí na graça das pessoas. Meu estilo é música eletrônica e a turma do flaskback da região é muito grande. A audiência foi crescendo. Como era um show online, eu passava um chapéu virtual para as pessoas que quisessem colaborar. E muitas me apoiaram. Surgiu inclusive um fã clube, que fez até uma camiseta temática para um show presencial no clube no Bonfim. Foi uma experiência maravilhosa, mas, no geral, foi trágico, pois tivemos que vender equipamentos, objetos pessoais e dois carros, um deles era para transporte de equipamentos. Muita gente ofereceu fralda por eu ter bebê pequeno e, como eu abrigo cães que foram resgatados da rua, também recebi doação de ração. Não foi nada tranquilo, mas se não fosse as lives, não sei o que teria acontecido. Muitos fãs se juntaram para nos apoiar. Agora, os shows presenciais estão voltando. Estou com a agenda aberta e as lives são aleatórias, faço quando eu não tenho evento e sempre informo as datas pelas redes sociais.”

Joe Welch, cantora

“Foi um período muito difícil. Eu e minha esposa somos aposentados e isso foi o que nos segurou. Nas redes sociais, postava mensagens e vídeos caracterizados dos meus personagens, cantando ou lendo textos. Não cheguei a pedir dinheiro, foi só para manter o meu nome no mercado. Como sou autor, enquanto tudo estava parado, escrevi quatro textos e voltei a estudar violão. Arrumei um professor e estou fazendo aulas online. Foi uma forma de preencher o tempo. Eu tinha preparado para antes da pandemia um circuito pelas principais cidades da região com o espetáculo adulto que se chama As Caras do Brasil e o infantil com o palhaço Zé Minhoca, ambos são espetáculos solo. Com os teatros fechados, ficou tudo parado. Então, agora estou articulando para fazer isso e começar as apresentações no início de 2022. Também pretendo montar um dos textos que escrevi, que é uma comédia de costumes musical, com um elenco de 15 pessoas, para 2023. Estou buscando patrocínio via leis de incentivo. Eu trabalhava muito com hotéis, animação em eventos empresariais e festas. Isso ainda está devagar. Há pouco mais de um mês que fiz o meu primeiro trabalho remunerado e acabo de receber um primeiro e-mail para a apresentação do Zé Minhoca no encerramento do ano letivo de uma escola.”

Marcos Tadeu Carneiro, ator

“Eu tocava samba em barzinhos e também participava da banda de forró Maria Lua. O cavaquinho é o meu instrumento principal e eu tinha o violão como complementar. No começo da pandemia fiquei perdido. A banda de forró tinha uma agenda de 12 apresentações por mês, dava um sustento e eu vivia disso. Bateu desespero. Comecei a fazer lives sem cobrar nada e depois, por sugestão da minha namorada, pedi contribuição para quem pudesse, pois sabia que muitos amigos também estavam em uma situação difícil. Uma vez, eu estava fazendo uma live informal, tocando samba na cozinha e, com a sugestão de um amigo, surgiu o projeto Batuque na Cozinha, nome que também é de uma música de Pixinguinha. Foram 38 edições, sempre aos sábados. Eu fazia panfletos para divulgar e deixava aberto para quem pudesse contribuir. Era uma forma de passar a arte, alegrar as tardes de sábado e rendia um dinheirinho. Com o passar dos meses e o avanço da vacinação, foi caindo a audiência. Foi um período difícil, mas além de estudar mais violão, aprendi a mexer com produção audiovisual e a divulgar minha arte.”

Dudu Baradel, músico e sambista

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Da Redação do Correio Popular