Publicado 09 de Setembro de 2021 - 9h08

Por Karina Fusco/ Caderno C

Cena do espetáculo Mercedes, criado pelo Grupo Emú

Felipe Alencar

Cena do espetáculo Mercedes, criado pelo Grupo Emú

Mercedes Baptista foi a primeira bailarina negra a compor o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1948. Personagem fundamental na história da dança brasileira, a bailarina, que nasceu em Campos dos Goytacazes, no Estado do Rio de Janeiro, criou técnicas e gestuais que a consagraram como precursora da dança moderna brasileira, uma junção entre o clássico europeu e as raízes africanas. A história dessa personagem icônica será contada no palco do Sesi Campinas Amoreiras amanhã, sábado e nos dias 17 e 18 de setembro, às 20h, com entrada gratuita mediante reserva pelo site do Sesi.

O espetáculo Mercedes, criado pelo Grupo Emú, é uma viagem pela história da dança moderna no país. Como diz Sol Miranda, uma das idealizadoras do projeto e bailarina que interpreta Mercedes na fase jovem, a ideia surgiu nas aulas de Charles Nelson, que dirigia o grupo de dança afro onde Sol dançava há cerca de 10 anos. “O nome de dona Mercedes circulava como uma figura muito emblemática, que representava o empoderamento feminino e o ativismo dentro das artes. Era uma grande inspiração. A ideia do espetáculo veio do entendimento do grupo de querer homenagear uma mulher negra que fosse importante para nossa construção, enquanto artistas independentes”, explica.

Pesquisa

Para criar o espetáculo, o grupo Emú mergulhou nas pesquisas sobre Mercedes Baptista. Foi feito um estudo de linguagem do espetáculo a partir dos movimentos de dança que a bailarina criou pra compor o corpo de personagens das apresentações. “Também fizemos um mergulho na metodologia dela e nos arquétipos que ela criou a partir do entendimento que tinha das danças dos orixás e das matrizes negras ao redor do Brasil e de outros países”, relata Sol.

O espetáculo abarca toda a trajetória da icônica dançarina que criou o Ballet Folclórico Mercedes Baptista, que teve projeção internacional e deu para o Brasil um lugar de destaque no exterior, como explica Sol Miranda. “Ela dançou e estudou com Katherine Dunham, considerada a matriarca da dança negra norte-americana, que foi a pessoa que a ajudou a entender que ela deveria criar sua própria metodologia, que até hoje é uma disciplina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro”, completa.

Na fase de construção do espetáculo, além dos ensaios artísticos, os artistas envolvidos também assistiram a palestras e conversaram com pessoas que tiveram contato com Mercedes para entender ainda mais sobre a personagem e fazer uma criação biográfica com aberturas para pontos criativos.

Após nove meses de ensaio, o espetáculo Mercedes estreou na arena do Sesc Copacabana em 2016. Depois, percorreu todas as regiões da cidade, esteve em festivais, inclusive em Minas Gerais, e chegou a algumas cidades do estado de São Paulo. Com a pandemia, ocorreram apresentações on-line e agora é a vez do público de Campinas se encantar com a história de Mercedes Ignácia da Silva Krieger, que faleceu em 2014 aos 93 anos.

O ponto alto do espetáculo é o momento que mostra a dança batuque, criada originalmente por Mercedes. “Um dos grandes sonhos dela era fazer o batuque misturando os tambores de matriz africana com os instrumentos clássicos. Temos esse momento no espetáculo que é uma grande homenagem para ela”, ressalta Sol.

Mesmo tão envolvida no projeto há quase uma década, Sol Miranda considera sempre um desafio interpretar Mercedes na fase jovem. “A personagem é maior do que eu e o espetáculo é maior do que os corpos que estão ali no palco. Toda vez que a gente apresenta tem algo novo”, diz.

ANOTE

Espetáculo Mercedes

Teatro do Sesi Campinas Amoreiras, nesta sexta-feira (10) e sábado (11) e dias 17 e 18 de setembro, sempre às 20h

Informações: (19) 3772-4100 e WhatsApp (19) 99642-1499.

Entrada gratuita

Reservas antecipadas pelo Meu SESI (sesisp.org.br/eventos). O ingresso tem validade até 15 minutos antes da apresentação. Os ingressos remanescentes serão distribuídos 10 minutos antes do início do espetáculo. O uso de máscara é obrigatório.

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Karina Fusco/ Caderno C