Equilíbrio: supernanny brasileira reúne em livro de linguagem acessível e dinâmica 500 perguntas e respostas que ajudam os pais a educarem as crianças sem enlouquecer
"Os pais estão terceirizando a educação dos filhos. Isso é muito forte. Estão pagando para que outras pessoas os eduquem e essa é uma responsabilidade muito séria, que não deveria ser delegada" ( Divulgação)
Foto: Divulgação "Os pais estão terceirizando a educação dos filhos. Isso é muito forte. Estão pagando para que outras pessoas os eduquem e essa é uma responsabilidade muito séria, que não deveria ser delegada" Educar é um desafio que demanda dedicação dos pais em todas as fases da infância e da adolescência. O que é fácil para uns, pode se tornar um problema para outros; assim, uma regra que funciona para uma família pode resultar infrutífera para outra. Então, o que os pais têm a fazer para tornar esse processo seguro e sem traumas? A educadora Cris Poli, que apresenta o programa Supernanny no Brasil, dá algumas respostas no livro S.O.S. dos Pais – 500 Dicas Para Educar Sem Enlouquecer, um guia destinado a auxiliar os pais nas principais dúvidas sobre a criação dos filhos. Formada em educação pelo Instituto Nacional Superior Del Profesorado em Lenguas Vivas Juan Ramón Fernandez, de Buenos Aires (Argentina), onde nasceu, e com mais de 40 anos de experiência como educadora, Cris Poli selecionou questionamentos reais de pais e mães para escrever o livro. Ela lembra que todo pai e toda mãe já gritou a palavra “socorro” ao menos uma vez, seja naquela madrugada em que o filho não parava de chorar, seja na queda-de-braço desencadeada pela rebeldia. O livro alinha 500 perguntas e respostas que afligem os casais a partir da chegada de uma criança à família. Em formato de diálogo e com linguagem de fácil entendimento, a obra traz uma série de esclarecimentos e procura apontar caminhos para que os pais consigam lidar bem com situações difíceis que envolvem disciplina, relacionamento, educação, saúde, alimentação, sexualidade e tecnologia, entre outros. Segundo a autora, não há uma regra única para atender a todos os casos. O livro, diz ela, é um subsídio para que pais e mães, surpreendidos por situações inesperadas, consigam “apagar o incêndio” e desfrutar com qualidade de cada momento da convivência. Lançado pela Editora Mundo Cristão, o livro S.O.S dos Pais tem 240 páginas e está à venda nas livrarias por R$ 29,90. Já o programa Supernanny está em sua oitava temporada e atendeu mais de 100 famílias que se inscreveram no site da atração. Hoje, existem mais de 30 mil famílias cadastradas para receber a visita da educadora, que começa o trabalho observando o cotidiano na casa, para depois analisar cada situação. Os adultos são chamados para conversar e recebem dicas, conselhos e demonstrações de estratégias que ajudam a restaurar a harmonia da casa. A Metrópole conversou com Cris Poli sobre a educação dos filhos.Metrópole – Faz sentido dizer que todas as crianças nascem com o mesmo temperamento? Se sim, o que as faz mudar ao longo dos primeiros anos? Cris Poli – As crianças nascem com diferentes temperamentos, já que recebem grande influência da herança genética dos pais. Elas vão mudando o temperamento de acordo com as influências externas e os diferentes contextos sociais em que se encontram e crescem.Mas, um comportamento inadequado apresentado por algumas crianças pode ser causado pela maneira como elas são tratadas pelos pais? Eu digo que a grande mudança de atitude em uma família deve acontecer, primeiramente, nos pais. A partir daí haverá uma mudança no comportamento dos filhos.Quais são os principais problemas que você detecta como educadora quando analisa uma família? O que eu percebo com muita frequência é que os pais estão enfrentando uma constante falta de tempo para interagir com os filhos. E para educar também. Os pais estão terceirizando a educação dos filhos. Isso é muito forte. Estão pagando para que outras pessoas os eduquem, e essa é uma responsabilidade muito séria, que não deveria ser delegada.E como é possível abordar os diferentes assuntos para resolvê-los sem traumas? Cada família tem sua história, suas características e seus problemas, que precisam ser analisados e resolvidos conforme a necessidade. O que eu oriento e que vai numa linha geral é que os pais busquem conciliar suas necessidades com as necessidades dos filhos, integrando as atividades e os momentos juntos para que haja mudança de comportamento dos próprios pais. Com isso, as mudanças acontecem também no comportamento dos filhos. Não há uma fórmula infalível. Cada caso é um caso e precisa ser analisado para se buscar uma solução. Cada criança é uma criança e ela merece ter o tratamento adequado para ser educada e formada em seu caráter de forma carinhosa e eficaz.As demandas também são diferentes em cada faixa etária. Como reconhecê-las? Idades diferentes, problemas diferentes. A criança é um ser em contínuo desenvolvimento e a educação deve acompanhar esse movimento. Não existe um roteiro ou uma fórmula para o sucesso na educação. Existem conceitos, valores e princípios básicos que devem ser assimilados pela criança, pois vão orientá-la na formação como ser humano e prepará-la para viver bem em sociedade. O que é mais importante na hora de lidar com uma criança que se comporta mal, que faz escândalos em locais públicos e não obedece aos pais? É muito importante ensinar a criança o princípio da autoridade, do respeito, da responsabilidade e da obediência aos pais, em primeira instância, e aos adultos mais velhos em geral. É importante ser firme, ter convicção, não ter medo de errar e, o que não deve faltar de jeito nenhum, muita paciência. E, claro, amor, que é fundamental. Sempre digo que bater numa criança jamais deve ser uma opção na hora de educar, porque bater não educa.Em seu trabalho como educadora, é comum perceber relações em que os pais procuram compensar alguma falha no processo de educação com permissividade? Essa é uma verdade. Percebo muito essa situação. A ausência paterna, por exemplo, gera um sentimento de culpa, que gera a permissividade. Nesses casos, são os pais que precisam de ajuda, pois estão confusos, perdidos e carentes de orientação. Eles pedem socorro. É por isso que amo meu trabalho e estou disposta a ajudá-los na medida do possível. Sempre.