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Destino? O bar mais próximo

Na estrada: paranaense larga tudo para rodar o Brasil de carona descobrindo as brejas artesanais de cada região; na semana passada, viajante cervejeiro visitou Campinas

Thaís Jorge
19/07/2015 às 08:00.
Atualizado em 28/04/2022 às 16:53
cervejeiro viajante (Arquivo Pessoal)

cervejeiro viajante (Arquivo Pessoal)

Sete camisetas e alguns poucos itens pessoais ocupam a mochila que vai nas costas de Edson Paulo de Carvalho Júnior. Conhecido nas redes sociais como viajante cervejeiro, ele abandonou casa, carro, carreira na área de publicidade e estabilidade para embarcar num projeto tão incomum quanto inédito: rodar o País em busca das cervejas artesanais de cada região, desbravando a cultura e a história dos lugares e das pessoas que os constroem a cada gole. “Sempre fui apaixonado pelo universo da cerveja artesanal. Além disso, tinha uma necessidade grande de liberdade, gosto de viajar. Foi a união de duas coisas que amo e encaro como profissão”, avalia o mochileiro, que parou em Campinas na última semana para tomar nota de recantos etílicos da cidade. Entre as surpresas encontradas por aqui, chamou atenção a combinação de “duas coisas muito boas da vida”, como ele mesmo definiu. “Estive na loja Bierhof, especializada em pães e cervejas artesanais. Fiquei impressionado com a combinação de sabores. Tivemos um bate-papo com convidados e provamos cinco cervejas, enquanto eu contava para a turma sobre minhas aventuras pela estrada e os bares pelos quais passei”, comenta. Ele também visitou Cervejoteca, Brejas e Boteco Formol. “Esse último não tem fachada e lembra uma antiga oficina de carros. Essa parada foi mais por curiosidade, já que a casa não é especializada em cerveja artesanal. Mas a presença de bacon em 90% dos pratos me conquistou”, brinca. Foto: Carlos Souza Ramos Viajante esteve recentemente em Campinas; no roteiro, Bierhof, Cervejoteca, Brejas e Boteco Formol       Para Carvalho Júnior, que fez curso de beer sommelier quando morava em Curitiba, o grande prazer do percurso está em descobrir as histórias guardadas em cada copo. “Conhecer as pessoas envolvidas na fabricação de uma cerveja, as experiências delas, é muito gratificante. E sinto que estamos em um momento no qual o artesanal vem sendo bastante valorizado, de maneira justa”, opina. E por falar em breja artesanal... “Acredito que esse seja um conceito trazido do craft beer. É o lance de se preocupar com a matéria-prima e o método de preparo. Quando você apoia a produção local que se encaixa nessa lógica, automaticamente apoia a cultura cervejeira e a comunidade envolvida nisso, além de consumir bebidas de excelente qualidade”, pontua.       Foto: Arquivo Pessoal Carvalho Júnior já rodou por cinco estados brasileiros...           A máxima do “beba menos, beba melhor” é defendida pelo viajante, que relata suas andanças em blog e nas redes sociais. “O objetivo é reunir histórias e experiências cervejeiras de cada região e montar um guia para quem aprecia a bebida”, conta. O blog é voltado ao consumidor final e reúne indicações sem frescuras, como se tivessem sido feitas por um velho amigo. “A partir do momento em que você conhece esse mundo, mais quer conhecer. E passar isso adiante me motiva muito”, diz.  Foto: Arquivo Pessoal ...histórias compartilhadas nas andanças são registradas em blog e redes sociais   O começo de tudo Cerveja sempre foi uma paixão. Mas daí até largar a profissão e se dedicar a um projeto nômade focado nas brejas artesanais rolou muito chão. O gosto por essas bebidas conquistou Carvalho Júnior em uma viagem a Barcelona, em 2007, onde o então publicitário morou por um tempo. “Provei muita cerveja diferente lá e gostava de andar procurando descobrir mais. No ano seguinte, retornaria para Curitiba e queria trabalhar com isso. Quando voltei, fiz um curso de beer sommelier e trabalhei, de fato, no segmento. Foi muito bacana, mas depois de um tempo já estava com vontade de partir para outra viagem. Então, em 2011, fui viajar de novo, mas com foco mais definido”, lembra. Foto: Arquivo Pessoal “Parei para pensar e definir o que poderia fazer da minha vida que me deixasse mais realizado e que fosse viável”   Entre as regiões visitadas, o Sudeste Asiático e a Europa se destacam. “Passei por uns 16 países. Voltei ao Brasil em 2012 e assumi a gerência de marketing de uma empresa em Florianópolis. Era um trabalho home office, mas me pediram para voltar ao escritório e eu não queria aquilo. Parei para pensar e definir o que poderia fazer da vida que me deixasse mais realizado e que fosse viável. E, assim, montei o projeto do cervejeiro viajante. Estipulei datas e, como não tinha muita grana, pensei em corte de custos. Decidi não ter casa nem carro e defini que viajaria de carona e buscaria hospedagem através de couchsurfing. E assim estou desde então”, conta. Rotina incomum O mochileiro é o único da família a não ter uma vida, digamos, convencional. “Nunca me senti bem trabalhando por algo que não fosse meu. Não gostava de sentir que estava depositando toda a minha energia em algo em que não via sentido ou perspectiva”, fala. Ele afirma que a maior dificuldade de viver integralmente para o blog, na prática, é a imersão no conteúdo e as muitas horas investidas pensando em como publicar informações que, de fato, valham a pena. “Tento fazer tudo da maneira mais organizada possível, dentro de uma relativa rotina”, diz. Por isso, cerca de dez dias antes de cada viagem, Carvalho Júnior prepara o roteiro, pesquisa possíveis lugares para visitar, busca indicações, organiza caronas e estadias. Foto: Arquivo Pessoal Cursos e eventos são a principal fonte de renda do projeto Hoje, a principal fonte de renda do projeto vem de cursos e eventos ministrados pelo beer sommelier, que exigem contato prévio com bares e donos de estabelecimentos das cidades visitadas. “É difícil porque preciso, primeiro, me apresentar, explicar o projeto e o cara tem de comprar a ideia sem nem me conhecer. O blog e a página no Facebook têm ajudado muito na divulgação do trabalho e as pessoas já sabem que é algo sério e que tem comprometimento. Então, está rolando”, avalia. Os eventos, normalmente, são realizados em parceria com os bares e envolvem aulas de degustação e bate-papos com os clientes sobre as experiências etílicas Brasil afora. Para onde? As próximas paradas do viajante cervejeiro, que já rodou por cinco estados, incluem Ribeirão Preto e Araçatuba. Saindo do território paulista, o destino é Mato Grosso do Sul. “Depois, sigo para Mato Grosso, Goiás, Brasília, Minas Gerais, Espírito Santo e região Nordeste”, adianta. Em longo prazo, o objetivo é estender a procura por brejas artesanais fora do País. Além de novos rótulos, Carvalho Júnior também busca parcerias e patrocínio. “É importante demais, porque ajuda a viabilizar o projeto. Tenho algumas, mas, se for para trazer benefícios ao leitor, novas parcerias são sempre bem-vindas”, pondera. De mochila nas costas e sempre pronto para o ritual do encontro proposto a cada copo, é assim que ele se despede. Mas não sem antes responder à última pergunta, que estava só na espreita para ganhar forma. Afinal, qual a melhor breja apreciada? “A próxima, certamente”. Quer viajar junto?Acesse http://viajantecervejeiro.com.br 

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