O desânimo pode estar associado a vários fatores, mas geralmente ele aparece diante de uma situação que gera impotência. A luta insólita diante de uma doença terminal é motivo suficiente para levar alguém a uma condição de desalento. Os recursos, tanto aqueles relativos a um tratamento, quanto de apoio e cuidado de pessoas queridas, nem sempre provocam uma melhora consistente no ‘estado de espírito’ do paciente. Esta melhora é sucumbida aos sintomas que se fazem presentes, como clara revelação de que a vida se esvai, sem que quase nada possa ser feito. Intimamente pode existir a vontade de vencer a doença e com o passar do tempo a constatação de que ela não será vencida, provocará uma depressão que parece congelar a alma. A frieza da realidade até pode ser aquecida, por algum tempo, até que novamente a desesperança se instala. Os momentos que mesclam o que existe de fato e a confusão mental provocada por remédios como a morfina, trazem lembranças de uma vida saudável e independente e que pode propiciar alívio efêmero, como se o passado pudesse voltar e ser mudado. A culpa por não ter cuidado da saúde como deveria talvez seja um peso intolerável. Mas ninguém garante que uma vida saudável seja condição incontestável para se evitar certas doenças, porém, o descuido com o corpo e com a mente, aumenta drasticamente a chance de muitas enfermidades aparecerem. Viver no sofrimento causado pela dor leva à fragilidade e abatimento, daquele que tem a moléstia e também de seus familiares mais próximos. Experiências impactantes como esta também podem despertar forças adormecidas que conseguem proporcionar algum alento, neste momento caótico que a vida reservou.