As chuvas constantes aumentam os riscos de deslizamentos de terra e transbordamento de rios e córregos
Casa às margens de córrego no Jardim do Lago 2: chuva tira o sono de moradores e deixa a Defesa Civil em alerta (Giancarlo Giannelli/Especial para AAN)
As chuvas constantes aumentam os riscos de deslizamentos de terra e transbordamento de rios e córregos em Campinas. Após as precipitações desta terça-feira (10), a cidade continua em estado de atenção, segundo boletim da Operação Verão divulgado pela Defesa Civil, e 30 áreas de risco são monitoradas diariamente. Um município é considerado em estado de atenção quando quando chove acima de 80 milímetros (mm) em menos de 72 horas. Nesse período, a cidade acumulou 167mm. Além de Campinas, mais cinco cidades também estão nessa situação: Águas de Lindoia, Lindoia, Socorro, Cabreúva e Jundiaí. De acordo com o boletim, Águas de Lindoia acumulou 140,4 milímetros no período, enquanto Lindoia somou 81,6mm. Em Socorro, choveu 89,3mm em três dias. Jundiaí e Cabreúva acumularam, respectivamente, 87,1mm e 101,4mm. Da listagem, 37 cidades da região permaneciam em observação. A cidade de Santa Bárbara d’Oeste registrou acúmulo de 63,3mm e, durante o final de semana, as chuvas provocaram alagamento em diversos pontos da cidade. No sábado (7), ao menos 100 residências na região do Jardim Conceição, próximas ao Ribeirão dos Toledos, ficaram alagadas. A Defesa civil registrou ainda 12 pontos de alagamentos em comércios e três prédios públicos tiveram goteiras (duas escolas e o Pronto-Socorro Modelar Afonso Ramos). Córrego Em Campinas, o coordenador da Defesa Civil, Sidnei Furtado, afirmou que a chuva desta terça foi mais tranquila e que não houve registro de ocorrências. “A chuva desviou da cidade, o que ajudou. Estamos monitorando para evitar acidentes e é importante que a população fique alerta”, disse. A proximidade de pelo menos três barracos do córrego que passa pelo bairro Jardim do Lago 2, em Campinas, deixa os moradores apreensivos. As casas, feitas com pranchas de madeira, ficam a menos de 10 metros da margem do córrego que passa na Rua Marcelina Rodrigues Paschoal. Com as chuvas, a água subiu e transformou a entrada dos barracos em um banco de areia, diminuindo em um metro a distância entre as moradias e o córrego. Medo Foto: Giancarlo Giannelli/Especial para AAN Rita: "Temos medo, mas não tenho para onde ir. Quando chove como tem chovido, ficamos praticamente ilhados" “Temos medo, mas não tenho para onde ir. Moro com quatro filhos pequenos. Quando chove como tem chovido, ficamos praticamente ilhados. Não tem como sair ou ir para a cidade”, disse a auxiliar de produção Rita Antunes Pereira, de 33 anos. Ela mora no local há seis anos e diz que entrou no cadastro da Companhia de Habitação Popular (Cohab) no ano passado. Em nota, a Cohab informou que toda a área onde Rita mora é passível de remoção total porque as famílias se instalaram em Área de Proteção Permanente (APP). No entanto, a remoção está atrelada à oferta de novas unidades habitacionais no município pelos programas Minha Casa, Minha Vida e Casa Paulista. Fiscalização A área é imprópria, mas, até o momento, não é classificada como de “risco iminente”, conforme as fiscalizações recentes realizadas pela Coordenadoria Especial de Habitação Popular (Cehap) da região Sul. No entanto, a orientação em caso de alagamentos recorrentes é para as famílias chamarem a Defesa Civil, órgão responsável por interditar imóveis condenados. A partir desse atendimento, o órgão poderá acionar a Cehap e a Secretaria de Habitação. A Defesa Civil informou que a área do Jardim do Lago 2, por ser de risco, é monitorada constantemente. Outras áreas que recebem atenção são as margens dos córregos que cortam a região do Parque Via Norte e as imediações do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Previsão Segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre segunda-feira e terça-feira, choveu 3,3 milímetros em duas horas. O órgão informou que a previsão do tempo para hoje é de diminuição da nebulosidade, com o retorno do sol por maiores períodos, entretanto, poderão ocorrer pancadas de chuva. Essas condições permanecerão até a sexta-feira (13), pelo menos.