JOGO RÁPIDO

Decisão lógica ou aposta arriscada?

Coluna publicada na edição de 25/5/18 do Correio Popular

Carlo Carcani Filho
24/05/2018 às 20:33.
Atualizado em 28/04/2022 às 10:00

O Corinthians terminou o Brasileirão de 2016 em 7º lugar. Fez apenas 55 pontos (25 a menos do que o campeão Palmeiras), ficou fora da zona de classificação para a Libertadores e demitiu Oswaldo de Oliveira. Vários nomes foram cogitados para substituí-lo, como Guto Ferreira, Dorival Júnior, Reinaldo Rueda e Marcelo Oliveira. Por motivos diferentes, não houve acordo com nenhum deles. E no final de dezembro a diretoria anunciou Fábio Carille como treinador. O ex-lateral não era conhecido pelo torcedor, mas conhecia o Parque São Jorge como poucos. Ele trabalhava há oito anos no clube e esse fator foi decisivo para a escolha de seu nome. A diretoria concluiu que um auxiliar precisava ter muita qualidade para permanecer por tantos anos em um time como o Corinthians. Nos primeiros meses de trabalho, Fábio Carille teve que responder por diversas vezes o que achava de ter sob seu comando a “quarta força” do futebol paulista. Era consenso que os elencos de Palmeiras (campeão brasileiro), do Santos (campeão paulista) e do São Paulo de Rogério Ceni eram mais qualificados. Discípulo de Tite, Carille mostrou que realmente aprendeu muita coisa nos anos em que trabalhou com o treinador da Seleção. Muito competitivo desde o início do Paulistão, o Corinthians foi campeão e transformou a expressão “quarta força” em uma doce ironia. Mas era “só” o estadual, um campeonato curto de início de temporada e, portanto, mais sujeito a resultados inesperados. Mas no Brasileiro também deu Corinthians. Desta vez com 9 pontos a mais do que o rival verde, o Corinthians foi campeão. Para não deixar dúvidas, a “quarta força” também conquistou o bicampeonato paulista. Com três títulos em um ano e meio de seu primeiro trabalho como profissional, Carille começou a receber propostas. Recusou as primeiras e chegou a afirmar que não deixaria o Corinthians nem por um caminhão de dinheiro. Mas, quando a proposta com um caminhão de dinheiro chegou mesmo, ele partiu para a Arábia Saudita. A difícil missão de substituí-lo não será entregue a nenhum técnico famoso. O Corinthians resolveu repetir a estratégia com Osmar Loss, “campeão de tudo” na base do clube. Loss foi uma decisão lógica e coerente ou uma arriscada tentativa de se dar bem com um técnico bom e barato mais uma vez? Vamos começar a descobrir nas próximas rodadas do Brasileirão.

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