Publicado 10 de Agosto de 2021 - 15h56

Por Adriana Giachini / Caderno C

O cineasta Fernando Meirelles (de Cidade de Deus) é o convidado do programa de abertura

Divulgação

O cineasta Fernando Meirelles (de Cidade de Deus) é o convidado do programa de abertura

Imagine uma conversa que começa com a memória da abertura das Olímpiadas no Brasil (e sua perfeição ao definir o povo brasileiro), revela o anseio de desvendar o processo criativo do cineasta Fernando Meirelles (de Cidade de Deus) e envereda por questionamentos em torno da saúde mental em tempos de pandemia da covid-19.

Tem mais.

No mesmo ritmo eloquente, o bate-papo apresenta reflexões sobre um futuro tecnológico no qual a convivência humana com a inteligência artificial tende a ser cada vez mais recorrente, assim como a virtualização da vida e a potencialização de nossa capacidade na tomada de decisões. O que, de fato, te faz feliz? Como aproveitar mais e melhor seu tempo de vida?

Em pouco mais de 30 minutos de entrevista com o neurocientista Álvaro Machado Dias assuntos aparentemente distintos não só surgem espontaneamente como fazem todo o sentido. E ainda que, ao final da conversa, a maior preocupação desta repórter seja como transmitir o conteúdo ao leitor sem que se perca a genialidade de seu interlocutor.

“Na verdade existe um paralelo entre todos esses temas que, para mim, é o hub da digitalização. É o questionamento do que muda de verdade a partir da lógica do funcionamento em rede criada pela virtualização como consequência da pandemia”, diz Dias, que é professor livre docente da UNIFESP, sócio do Instituto de pesquisa Locomotiva e colunista do UOL sobre Tecnologia.

Também é criador e curador de uma série de três lives, dentro do programa #ficaemcasa, do Café Filosófico do Instituto CPFL, com o tema Fora de controle: o que você julga controlar, enquanto te controla, cuja estreia nesta terça-feira (9), às 18h, com transmissão on-line e gratuita pelo YouTube, tem como convidado justamente Fernando Meirelles.

“A pandemia de covid-19 é o maior experimento cognitivo-comportamental da história. Novas formas de pensamento surgem na esteira da turbulência, enquanto o adoecimento mental se espalha como brasa e arte, que tão bem nos define, mostra-se vital”, explica o neurocientista.

“A presença do Meirelles é uma tentativa minha, que apesar da formação em neurociência, tenho grande interesse por questões da cultura, de trazer questões que, como público que admira o trabalho deste grande profissional, despertam curiosidade em todos. Como entender um pouco de seu domínio racional consciente sobre o processo criativo ou os imaginários que estão por traz de personagens inesquecíveis de seus filmes”, antecipa.

“O Meirelles é um artista de múltiplas facetas cuja obra é conhecida por todo mundo. Fico pensando nessa relação da indústria cinematográfica, que parece ser radicalmente tão planejada, com o lado emoção da arte. Qual o espaço do acaso e do risco na construção artística? É esse questionamento do controle do artista sobre a obra que quero abordar com ele”, adianta Dias.

Ciclo

Depois de Meireles, o ciclo de lives segue no próximo dia 19, com participação do psiquiatra Rodrigo Bressan em conversa com o tema: Mentes pandêmicas, tudo sob controle?. Nesse episódio, Bressan, que é autor mais de 300 artigos científicos, além de ter vários livros publicados, interage com Dias no desafio de tentar uma definição de saúde mental e futuro em tempo de pandemia. “Acho que aqui o foco é pensar como nossa saúde mental foi afetada e como estamos lidando, em maior ou menor intensidade, com os fantasmas inconscientes que habitam nossas mentes.”

Já para encerrar a trilogia, no dia 2 de setembro, Álvaro Machado Dias assume sozinho a missão de conversar e refletir sobre a capacidade humana de tomada de decisão (bem como a coragem para assumir risco) diante dos desafios atuais.

“A tecnologia e a economia são pilares na minha compreensão, determinantes no pensar a cultura e sua acessibilidade. Se antes a gente discutia qualidade da internet, hoje existe uma percepção muito clara de que quem não tem acesso é excluído. A internet passa a ser um direito universal porque isso significa, na prática, que as pessoas têm direito à cultura e ao empoderamento que ela permite. E é justamente neste ponto que surgem outros questionamentos: estamos falando em usar a tecnologia a nosso serviço, em nosso favor e permitir escolhas sobre como queremos utilizar melhor nosso tempo. Será que home office não é melhor porque não perco tempo com deslocamento? Porém, esta não é uma realidade para todos. Seguimos desafiados desigualdade social e econômica.”

ANOTE

A série de lives do Café Filosófico CPFL vai ao ar às 18h

Hoje

O controle do artista sobre a sua obra, com Álvaro Machado Dias e Fernando Meirelles

19/08

Mentes pandêmicas, tudo sob controle?, com Rodrigo Bressan

02/09

Tomada de decisão como opção de risco, com Álvaro Machado Dias

Escrito por:

Adriana Giachini / Caderno C