Publicado 05 de Agosto de 2021 - 19h26

Por Do Correio Popular

Flip 2021 homenageia a natureza e os povos da floresta

Divulgação

Flip 2021 homenageia a natureza e os povos da floresta

A 19ª Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece em formato virtual entre os dias 27/11 e 05/12, anuncia detalhes sobre a curadoria convidada e homenagem. Pela primeira vez, a Festa opta por trabalhar com um coletivo de curadores convidados e fazer uma homenagem coletiva. As duas escolhas refletem o conceito de toda a 19ª edição, que está expresso no texto “Nhe’éry, Plantas e Literatura” – na íntegra no site da Flip. Nhe'éry (pronuncia-se nheeri), quer dizer “onde as almas se banham”, é como o povo Guarani chama a Mata Atlântica, uma denominação que revela toda a pluriversalidade da floresta.

“Este ano a Flip volta seu olhar para a necessidade de se rever a dissociação entre homem e natureza. É um conceito que busca refletir sobre as questões mais urgentes do contemporâneo; não é um delineamento temático rígido. A intenção é se nutrir das florestas, que são sistemas abertos, colaborativos”, diz Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip. “Por isso, e em um momento de incertezas mundiais, todas as opções feitas para a Festa têm um caráter laboratorial, buscando retratar outras perspectivas e narrativas que olham para a literatura e para a produção cultural em seus formatos menos convencionais”, explica.

Munhoz ainda destaca que o texto “Nhe’éry, Plantas e Literatura”, que tem a função de ser um conceito norteador da 19ª edição, foi elaborado de forma colaborativa entre o coletivo curatorial, a direção artística da Flip e diversas outras instituições e indivíduos. Um fragmento da obra sintetiza o espírito desta edição:

"A grande importância das plantas nas obras literárias precisa ser destacada: os buritis de Guimarães Rosa, o Jardim Botânico e as flores de Clarice Lispector, os arvoredos de Fernando Pessoa, as folhas de Mãe Stella de Oxóssi, a bananeira de Bashô, as palmeiras e matas de Amos Tutuola, o herbário de Emily Dickinson, a polinização cruzada de Waly Salomão, o planeta-floresta de Ursula K. Le Guin, a floresta e a escola de Oswald de Andrade, seguindo novos fios de palavras de ficcionistas e poetas da contemporaneidade – o texto literário sob forma de narrativa, poesia ou drama, em registro oral ou escrito, tem tido uma contribuição fundamental a dar para o respeito e a valorização das diferentes formas de vida." (Trecho de “Nhe’éry, Plantas e Literatura”)

Coletivo Curatorial

Inspirada pelas florestas e sua diversidade, a Flip trabalha pela primeira vez com um coletivo de curadores, uma verdadeira “floresta curatorial”.

Hermano Vianna, antropólogo de formação, e misturador geral de informações, coordena o trabalho deste coletivo curatorial, integrado por Anna Dantes, colaboradora da Escola Viva Huni Kuin há mais de dez anos e uma das fundadoras do Selvagem – Ciclo de Estudos Sobre a Vida; Evando Nascimento, escritor e filósofo, pioneiro na reflexão sobre literatura e plantas no Brasil; João Paulo Lima Barreto, antropólogo do povo Tukano, do Alto Rio Negro, doutor pela Universidade Federal do Amazonas e fundador do Centro de Medicina Indígena em Manaus; e Pedro Meira Monteiro, professor da Princeton University e um dos fundadores da oficina Poéticas Amazônicas, no Brazil LAB da Universidade.

"Como Mário de Andrade disse, cada pessoa precisa ser 300 ou mais. Cada pessoa puxa um bonde, vários bondes, várias redes, muitos outros coletivos. Por isso, o trabalho do coletivo curatorial da Flip busca dialogar com o máximo de vozes possíveis que estejam olhando para as questões da contemporaneidade e a superação de suas crises. A ideia é se voltar para pensadores e agentes que têm buscado outros modelos de organização social e visões diferentes do conhecimento", diz o coletivo curatorial por meio do coordenador Hermano Vianna.

Pessoas enciclopédias

Nesta 19ª edição, a Flip faz uma homenagem coletiva para todos os pensadores, conhecedores e mestres indígenas que tiveram suas vidas interrompidas pela Covid-19. Gente de várias florestas do Brasil, gente discípula das plantas. Inspirada em projetos como o Memorial Vagalumes, a homenagem deste ano busca cultivar e espalhar as sabedorias dessas “pessoas-enciclopédias” que não podem desaparecer.

Alguns nomes: Higino Tenório, escritor, benzedor, especialista em arte rupestre, professor e fundador da primeira escola indígena do povo Tuyuka; Feliciano Lana, artista plástico e escritor do povo Desana, conhecido internacionalmente; Zé Yté, colaborador central dos mais importantes estudos sobre a etnobiologia Kayapó; Maria de Lurdes, guardiã das plantas de cura do povo Mura; Meriná, mestra de rituais de cura e benzimentos do povo Macuxi; Alípio Xinuli Irantxe, mestre das flautas do povo Manoki; Domingos Venite, Guarani, líder da maior terra indígena do estado do Rio de Janeiro, militante de novas políticas de saúde indígena.

Através desses nomes, a Flip também homenageia todas as vítimas da pandemia, entre elas gente de outras sabedorias e narrativas como Nelson Sargento, Aldir Blanc e Zé de Paizinho, mestre do samba de aboio sergipano, ou a poeta Olga Savary, o poeta Vicente Cecim e o ficcionista Sérgio Sant’Anna.

Formato

As mesas e intervenções videográficas da 19ª Flip buscarão um formato híbrido, entre o físico e o virtual, mas sem presença de público, em um momento ainda delicado da pandemia de Covid-19. Tudo em caráter laboratorial. Será então uma Flip em defesa da arte, da vegetação que protege o planeta e, sobretudo, da vida em suas múltiplas configurações

ANOTE

19ª Festa Literária Internacional de Paraty

Edição Virtual

Programa educativo: de 22 a 27 de novembro

Programa principal: de 27 de novembro a 5 de dezembro

Programação completa, locais virtuais e horários: em breve!

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