Publicado 18 de Julho de 2021 - 11h22

Por Cibele Vieira / Caderno C

O inquieto e brilhante artista plástico Francisco Biojone morreu em 2018

Divulgação

O inquieto e brilhante artista plástico Francisco Biojone morreu em 2018

Um passeio pela vida e obra do ousado, inquieto e brilhante Francisco Biojone nos enche de cores, sensações e surpresas. Essa é a primeira impressão que se tem ao folhear a refinada publicação de 267 páginas que acaba de sair da gráfica. O livro Francisco Biojone - Lembranças é a primeira iniciativa que os curadores do artista campineiro mostram ao público após sua morte, mas ainda haverá exposições com obras inéditas e a criação de um site para que seu legado permaneça acessível.

O desafio de fazer uma publicação que reunisse todo a criação do artista começou com o desejo do próprio Biojone e, em 2015, ele (com 80 anos) e seu galerista Fábio Luchiari começaram a organizar o livro. "A catalogação das obras começou com as guardadas no ateliê e na residência, depois nas casas de familiares, amigos, colecionadores e instituições. Biojone supervisionou todo o processo de entrevistas, fotografias e catalogação até 2018, ano de seu falecimento, sempre acrescentando detalhes da história", conta Luchiari, editor do livro.

Após sua morte, em 2018, Luchiari e as curadoras do Ateliê Francisco Biojone - a filha Mariana e a esposa Dirce - trabalharam por três anos para concluir a produção. O resultado foi o resgate e mapeamento de forma bem completa da trajetória de seis décadas do artista reunidos em uma única obra. "No livro temos uma visão panorâmica de sua vasta produção e seu legado, que mostram o grande artista que ele foi", comenta Luchiari.

Uma grande obra

Das 649 obras catalogadas até agora, 304 foram reproduzidas no livro, com descrição do ano de produção, técnica utilizada, tamanho e acervo a que pertence, além de informar se a obra participou de alguma das 297 exposições relacionadas ou se recebeu alguma premiação. Todas as exposições das quais participou foram cuidadosamente descritas em ordem cronológica, destacando as fases e escolhas do artista. Luchiari comenta que "se ele não estivesse tão presente, a maioria dos detalhes teria se perdido e a pesquisa nunca chegaria à riqueza de detalhes que conseguimos".

A historiadora da arte, Regina Teixeira de Barros, contou a trajetória do artista mostrando a evolução da sua produção em duas partes: a primeira com as pinturas em tela e a segunda nos papéis (monotipias e aquarelas). O legado ficou a cargo da historiadora e pesquisadora Sonia Fardin, que no início da pesquisa teve o auxílio direto do artista. Essa participação possibilitou grande riqueza de detalhes na história, tanto no âmbito familiar quanto social. O livro publica também uma seleção de textos de críticos e curadores de arte que, por meio de diferentes olhares, evidenciam a importância de suas obras no contexto artístico.

Todo esse detalhamento teve por objetivo tornar a publicação uma fonte de referência para pesquisas, mostrar a evolução do artista, além de contar sobre sua vida pessoal, acadêmica e social. Por conta da pandemia, não haverá lançamento do livro nesse momento. Ele será comercializado em livrarias locais e sites de venda. Museus nacionais e Instituições Culturais receberão um exemplar gratuito enviado pela família, para ampliar o conhecimento sobre o artista Biojone.

Um artista completo

A personalidade inquieta de Francisco Biojone (1934-2018) permitiu que ele produzisse em várias frentes ao mesmo tempo. Trabalhou como artista plástico, articulador cultural, gestor de espaços expositivos, organizador de coleções de arte, professor e formador de jovens artistas. Entre 1952 e 2018, período em que teve atuação pública no campo cultural, sua produção foi considerada referência no campo das artes visuais no Estado de São Paulo, mas interagiu com um diversificado circuito cultural nacional e internacional. Em Campinas ele estudou, criou, lecionou e constituiu família. Em 1973 se casou com Dirce Engler Rocha, com quem teve dois filhos: Rodrigo e Mariana.

Aos 21 anos já participava do Grupo Vanguarda, onde discutiam os rumos da Arte Moderna. Mas também enviava suas obras para participar de salões, como estratégia para legitimar-se como artista. Incrementava pesquisas, buscava diversos materiais e diversificava técnicas e estilos. Passou pelas paisagens urbanas estilizadas, naturezas-mortas, abstrato, aquarelas, alternou papel e tela, pincel e espátula e sofisticou seu trabalho como colorista. Organizado, mantinha seus registros encadernados em volumes anuais, desde a década de 50.

"Embora eu tenha acompanhado suas atividades desde bem pequena, depois do livro publicado eu ainda me emociono em ver a dimensão da sua obra, sua coesão e o quanto foi um artista completo", diz a filha e curadora Mariana Biojone. Para ela, vários sentimentos se misturam, mas fica a satisfação por ter conseguido realizar o sonho do pai, que era mostrar sua trajetória em uma única obra e permitir que as pessoas o conhecessem melhor.

O livro é o primeiro passo para manter vivo essa herança. Em meados de 2022 virá o site (biojone.com) e um circuito de exposições em diferentes localidades.

ANOTE

Francisco Biojone - Lembranças: livro impresso com 600 exemplares. Tem 267 páginas, formato 24 cm X 30 cm, capa dura e impressão colorida em papel eurobulk 170g, com textos em português e inglês. Disponível nas livrarias Pontes e Lúcia Freitas Casa & Jardim, e no site www.amazon.com.br

Escrito por:

Cibele Vieira / Caderno C