Publicado 29 de Junho de 2021 - 19h07

Por Gilson Rei/Correio Popular

Evento cultural na região central de Campinas reuniu uma multidão, em período anterior à pademia da cobvid-19: ideia e a de incluir os projetos da periferia, historicamente esquecidos

Kamá Ribeiro

Evento cultural na região central de Campinas reuniu uma multidão, em período anterior à pademia da cobvid-19: ideia e a de incluir os projetos da periferia, historicamente esquecidos

Representantes da sociedade artístico-cultural de Campinas alertaram ontem sobre a urgência de um mapeamento completo e oficial da produção cultural do município para garantir orçamento e investimento igualitário nas atividades culturais da cidade. O objetivo é o de utilizar o mapa como ferramenta para fomentar a Cultura de forma ampla, incluindo os projetos da periferia, historicamente esquecidos.

A falta de um mapeamento deixa lacunas no planejamento da gestão pública e a demanda foi apresentada pelos agentes culturais à Secretaria de Cultura de Campinas como prioridade em reunião da Comissão Permanente de Cultura da Câmara Municipal de Campinas. O encontro ocorreu ontem em ambiente virtual, com a presença de representantes do Poder Público e da sociedade artístico-cultural, que avaliaram ainda os primeiros passos para a implementação do Plano Municipal de Cultura, criado em outubro do ano passado.

Distribuição de recursos

Ciro Alves, representante do Movimento Hip Hop de Campinas, o Ciro do Hip Hop, integrante do Conselho Municipal de Política Cultural, destacou que é fundamental ter um mapa cultural como referência para que o Poder Público tenha uma política de distribuição de recursos real e de forma igualitária.

Segundo Ciro, dados técnicos apresentados na reunião comprovam a exclusão social de agentes culturais na cidade. “A análise fria dos dados revela que os recursos são destinados às regiões do Centro de Campinas e ao distrito de Barão Geraldo. A periferia fica de fora, uma realidade que reflete o que acontece na sociedade como um todo. Ocorre uma exclusão do povo preto e pobre, que continua marginalizado. O racismo continua também nas estruturas que definem os recursos para a Cultura, as verbas não chegam nas periferias”, comentou.

É preciso ter um diagnóstico completo da produção cultural. “Isso não é uma sensação, é uma constatação. É necessário resolver essa questão e o mapa cultural é o primeiro passo para que a Secretaria de Cultura tenha obtenha um retrato real de onde a Cultura é produzida e onde existe demanda”, ressaltou Ciro. “Tem que redistribuir melhor os recursos e financiar a produção cultural para todos, ter uma gestão igualitária”, finalizou o representante do hip hop.

Fundo de Investimentos

A informação de que a maior parte do recurso público é destinada às regiões do Centro de Campinas e ao distrito de Barão Geraldo foi apresentada por Kaian Nóbrega Maryssael Ciasca, pesquisador, educador e gestor cultural da produtora Bons Ventos. Kaian elaborou indicadores culturais da cidade com base em informações existentes em órgãos oficias e institutos.

Para Kaian, esses indicadores promoveram uma análise mais profunda e, a partir deles, criou-se uma proposta de reestruturação na obtenção do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FIIC). Dentre as sugestões que surgiram, Kaian destacou a necessidade do uso de um mapa cultural com urgência.

“Além de utilizar o mapa como referência, é preciso diminuir a burocracia; facilitar a inscrição dos agentes culturais; criar um programa de difusão; usar a descentralização como critério de seleção, ter cotas por distribuição geográfica e estabelecer uma comissão de seleção, dentre ouras medidas”, comentou. Foi proposta ainda a implantação de Sistema Municipal de Informações e Indicadores Culturais (SMIIC) e o Comitê de Implementação, Monitoramento e Acompanhamento do Plano de Cultura (Cima).

Redução da burocracia

Malu Arruda, pesquisadora do Departamento de Ciências Sociais em Educação na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), integrante do Conselho Municipal de Política Cultural, defendeu também a criação do mapa cultural. “Está claro que é preciso ter um mapeamento dos agentes e da produção cultural. É fundamental criar um sistema de informações para a gestão das ações e do orçamento”, disse.

Segundo a pesquisadora, os indicadores culturais da cidade foram importantes no processo de aplicação da Lei Aldir Blanc para obtenção de recursos. Os dados foram usados como projeções de cadastros recentes. “Como distribuir os recursos sem levantamentos precisos? É primordial uma estrutura para mapeamento e dados”, comentou.

Malu defendeu ainda a redução da burocracia. “O trabalho que precisa ser feito urgentemente é diminuir exigências para que muitos possam se inscrever. Atualmente, existem muitas certificações que acabam excluindo muita gente”, afirmou.

Expectativa

O vereador Paulo Bufalo (PSOL), presidente da Comissão Permanente de Cultura da Câmara Municipal de Campinas, destacou que na próxima reunião, no dia 30 de agosto, a expectativa é a de debater os avanços na criação do mapa cultural; a implantação do Sistema Municipal de Informações e Indicadores Culturais (SMIIC) e a criação do Comitê de Implementação, Monitoramento e Acompanhamento do Plano de Cultura (Cima).

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Gilson Rei/Correio Popular