Publicado 12 de Junho de 2021 - 13h47

Por Kátia Fonseca/Correio Popular

João Paulo Amaral: álbum tem participação especial do pai, Valdo, de 82 anos, cantando em dueto seu poema Remédio do Mato, que o violeiro musicou

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João Paulo Amaral: álbum tem participação especial do pai, Valdo, de 82 anos, cantando em dueto seu poema Remédio do Mato, que o violeiro musicou

Tendo em mente o velho ditado “Diga-me com quem andas e te direi quem és”, pode-se dizer que o violeiro João Paulo Amaral é um excelente músico. Ele já dividiu o palco com Renato Teixeira, Inezita Barroso, Robertinho Silva, Natan Marques, Guinga, Luis Felipe Gama & Ana Luiza, Mônica Salmaso, Renato Braz, Toninho Ferragutti, Nailor Proveta, Ivan Vilela, Neymar Dias, Paulo Freire, entre muitos outros dignos representantes da moda de viola.

“Sempre fica marcado na memória quando a gente toca com músicos e artistas que a gente admira. Eu me sinto privilegiado de já ter tocado e tocar com grandes músicos dos quais eu sou fã”, orgulha-se o violeiro.

Como forma de celebrar seus 20 anos de carreira dedicados à viola caipira e na busca por ampliar seus horizontes sonoros, o músico e compositor João Paulo, que mora em Campinas, acaba de lançar nas principais plataformas digitais o álbum Aço da Terra.

“São oito composições instrumentais e três canções, temas que venho reunindo nos últimos dez anos e que exploram gêneros como arrasta-pé, polca, chamamé, pagode caipira, moda de viola, cateretê, toada, samba e jazz em diferentes afinações da viola, como cebolão, boiadeira, rio abaixo e sobre-requinta”, conta Amaral.

Aço da Terra traz a participação especial do pai de João Paulo, Valdo, que, aos 82 anos, canta em dueto seu poema Remédio do Mato, musicado pelo filho, faixa que celebra o lado afetivo das cantorias, pescarias e convivência familiar que foram a primeira escola do violeiro.

“O primeiro contato que tive com a música foi dentro de casa, ainda criança. Meus pais se conheceram num coral, sempre adoraram música, gostavam de escutar discos e de cantar. Minhas três irmãs mais velhas também estavam sempre cantando e ouvindo música. Tínhamos piano em casa, meu pai cantava e tocava violão. Aos 13 anos, ganhei minha primeira guitarra. Mas só decidi me dedicar integralmente à música quando já tinha 19 anos. Foi quando abandonei o segundo ano da faculdade de engenharia", relata o músico.

O disco

Financiado com recursos do ProAC Edital (SP), Aço da Terra tem participação de Alberto Luccas (contrabaixo), Ana Luiza (voz), Cleber Almeida (bateria), Ricardo Herz (violino), além do pai de João Paulo. O disco traz em seu repertório composições instrumentais do violeiro e arranjos originais de Amaral para canções como Clube da Esquina 2 (Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges) e Cuitelinho (domínio público).

A preparação e a gravação do álbum foram registradas e divulgadas no Diário Aço da Terra, composto por 40 capítulos de minivídeos e texto, publicados no YouTube, no Instagram e no Facebook do músico.

Como processo de lançamento do álbum, foram programadas sete lives diferentes. A primeira ocorreu ontem e, no próximo dia 19, será realizada a segunda, com participação do músico Ricardo Herz. Os próximos encontros virtuais entre João Paulo e convidados serão realizadas até o fim de julho, mas ainda sem datas definidas.

A carreira

Natural de Mogi das Cruzes, João Paulo Amaral é graduado (violão/guitarra) e pós-graduado pela Unicamp com o primeiro mestrado em música sobre viola no País, no qual pesquisou a vida e a obra de Tião Carreiro. "Vivo só de música desde que terminei minha graduação na Unicamp, mas não toco, apenas. Tenho um trabalho como professor de viola em algumas escolas de música, como a Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp) Tom Jobim", conta.

As boas influências musicais foram fundamentais para que João Paulo Amaral se tornasse o músico que é hoje. Ele aprendeu a tocar viola principalmente a partir da vivência dentro da Orquestra Filarmônica de Violas, fundada pelo importante violeiro Ivan Vilela, em 2001, que passou seu legado para João Paulo: "Tenho a honra de dirigir esta orquestra desde 2011".

O músico é, ainda, o idealizador do Festival Viola da Terra e participou da terceira edição do histórico festival Violeiros do Brasil - Projeto Memória Brasileira, uma inciativa do Museu da Casa Brasileira, com a proposta de mapear o que há de melhor na música brasileira e reuniu 14 violeiros em sete apresentações on-line este ano.

Além da carreira solo, João Paulo Amaral é integrante do trio Conversa. Participou de festivais e concertos em Portugal, Espanha, Inglaterra, México e Estados Unidos. E as boas companhias continuam: o violeiro Amaral já participou da gravação de mais de 30 álbuns e de projetos com nomes como Renato Teixeira, Robertinho Silva, Natan Marques, Guinga, Toninho Ferragutti e Nailor Proveta.

NA REDE

Acompanhe a arte de João Paulo pelo site oficial do músico www.joaopauloamaral.com.br

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Kátia Fonseca/Correio Popular