Publicado 31 de Maio de 2021 - 15h37

Por Adriana Giachini/Correio Popular

Djamblê, que se apresenta hoje, navega do rock ao funk, do hip-hop ao jazz, do rap ao reggae

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Djamblê, que se apresenta hoje, navega do rock ao funk, do hip-hop ao jazz, do rap ao reggae

“Batalha perdida, batalha vencida. A guerra é constante. Todos neste mundo são um evento itinerante”. Quantas interpretações não cabem nesse pequeno trecho da música Roda Gigante, recém-lançada pela banda limeirense Djamblê?

Em tempos de covid-19, os versos soam como um lembrete de que a luta pela vida tornou-se uma constante. Mas também podem ser desabafo de quem, como os integrantes da banda, com 25 anos de carreira, se dedica à cena musical independente: quantos e quais são os desafios “itinerantes” pelo caminho de quem busca seu lugar ao sol?

O trecho ainda permite pensar sobre nossa capacidade de superação, enquanto seres humanos, Aliás, esta tem sido palavra de ordem no vocabulário da Djamblê que hoje, às 17h, é a escolhida como segunda convidada de 2021 do projeto Mutante Live.

Iniciado ano passado pela Radio Mutante, e também como uma forma de superar a ausência de shows de rock em 2020, o projeto, em parceria com a Bode Produções, e a Sala V, do estúdio Nosotros, de Campinas, tem como proposta fomentar a cena cultural independente durante a pandemia e incentivar a manutenção da produção artística por meio da realização de lives mensais.

A ideia é que o conteúdo fique de acervo histórico para quando “tudo passar”. “Era para ser uma única live, mas percebemos o quanto aquele espaço era importante para os artistas que estavam sem shows e a coisa foi rolando. Fizemos a primeira com a banda Footstep, de Campinas, com transmissão pelo youtube”, conta Renan Franchi, um dos idealizadores, ao lado de Karina Marins.

Por ser novidade no formato e no como fazer, as três primeiras lives foram transmitidas (e seguem disponibilizadas) nas páginas das bandas. Posteriormente, foi implantada a transmissão simultânea nas redes sociais dos artistas e da própria Mutante, para arquivo. “Temos a ideia de continuar fazendo até que os shows autorais presencias possam voltar”, adianta Renan.

Este mês, por ordem, já participaram as bandas Cidadão José, Davy e os Jones, The Bombers, Garrafa Vazia (que aproveitou para gravar o álbum Kill the Nazis), Asteróides Trio (com participação do Barata, da banda DZK) e Red Lights Gang (Give’em Enough Influences) e O Preço. Juntas, elas somam mais de 17 mil visualizações entre YouTube e Facebook.

“A gente tenta amenizar a ausência de shows com as Lives que, para serem diferentes, são feitas com uma estrutura profissional, que, em situações normais, demandaria um custo alto. E por que é diferente? Porque tudo isso só tem sido possível com a união de forças de todos. Não teríamos a possibilidade de pagar isso sozinhos, nem as bandas de contratarem algo semelhante. Essa parceria é fundamental para o projeto”, conta Renan.

Djamblê

Famosa pelo estilo eclético, que navega facilmente do rock ao funk, do hip-hop ao jazz, do rap ao reggae, sem deixar de lado vertentes como o dub e o ragga, a Djamblê está entre os nomes de prestígio da cena independente do interior paulista.

Nos 24 anos de estrada, lançou inúmeras canções autorais de sucesso e já dividiu o palco como nomes conhecidos do grande público como Paralamas do Sucesso, Skank, Nando Reis, O Rappa, Planet Hemp, entre outros.

Vale lembrar que a Djamblê se destaca não só pelo som mas também por suas letras, contundentes e precisas com foco na política e na desigualdade social do País. Uma de suas músicas mais conhecidas é Quanto Vale?, feita após a tragédia de Mariana, quando uma barreira da mineradora Vale caiu causando mortes e destruição.

Para os integrantes, a vida é a maior inspiração da arte e o cenário nunca esteve tão propício. “Estamos em um jardim de flores pra gente discorrer sobre. Nunca estívemos em um momento tão propicio pra falar sobre as coisas que acreditamos. A música, o rock, o rap e a Cultura é para contestar, é para ser válvula de escape para alguns e o até mesmo norte pra outros.”

Já entre os destaques do currículo está o álbum de estreia, Nega Funky, lançado em 1997; o CD Ninguém está Ileso, de 2004; a participação, em 2006, com a música Já que tá então que vá, na coletânea virtual Interiorama 1 (site dalaranjaaocaos.com.br); a gravação do primeiro DVD, em 2017, Registro 10 anos ao vivo; e a presença, em 2017, do projeto Tributo ao Pato Fu, O Mundo Ainda Não Está Pronto, que reuniu 30 bandas de todo o Brasil.

No ano passado, com nova formação, a banda lançou o single Roda Gigante, junto com um Lyric Vídeo. Atualmente, é composta por Gamba (guitarra), Bark (vocal), Gilson (vocal), Ciço (baixo), Bira (teclado), Fernando (bateria) e Gilson Caetano (trompete).

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Adriana Giachini/Correio Popular