Publicado 22 de Julho de 2021 - 9h07

Por Luiz Roberto Saviani Rey/ Diretor editorial do Correio Popular

A reforma ministerial proposta ontem por Jair Bolsonaro não é de caráter utilitário e nem funcional. Traz apenas e tão somente o escopo de disponibilizar cargos e posições de destaque em seu governo, como forma de apagar o fogo ainda médio do descontentamento de lideranças do “Centrão”, e acomodar suas figuras proeminentes. Para não perder apoiamentos, Bolsonaro pediu estudos e vai restaurar o tradicional Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência, por ele acoplado ao Ministério da Economia.

O REINO POR UM CAVALO 2,,

Nome escolhido para a Casa Civil, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é o que mais tem manifestado desencanto com Bolsonaro, ameaçando debandada e esvaziamento da base de apoio. Como forma de pressão, recentemente, Nogueira chegou a chamar Bolsonaro de “fascista” e a dizer que Lula “foi o melhor presidente do país”. Fragilizado nas pesquisas, Bolsonaro quer o apoio do “Centrão” e, com ele sob o braço, instalar no Planalto o comitê de reeleição.

FRASE

"Sempre tivemos visão pragmática na relação com o governo. Somos um partido de resultados”

Ciro Nogueira, senador do PP-PI

CORTANDO O BRAÇO

O retorno da área do Trabalho ao status de Ministério é considerado para analistas e políticos como um mecanismo de enfraquecimento do plano econômico de Paulo Guedes. Seria o fim do superministério, apenas?

CORTANDO O BRAÇO 2

Guedes andou se queimando com a propalada reforma na economia, que até agora ficou no verbo. Ela mais assustou que agradou o setor. Há no ar nuvem pesada de insatisfação nos meios empresariais e financeiros quanto à sua inoperância.

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A reforma ministerial pode ser mais ampla e ir além da criação de mais um ministério. Poderá custar a sobrevida de Guedes.

CORTANDO O BRAÇO 3

A propósito, na dança das cadeiras ministeriais e de cargos, previsível o esvaziamento da figura do poderoso chefão Onyx Lorenzoni, em total declínio entre os bolsonaristas e oposicionistas.

MEIA VOLTA

O interessante na recriação do Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência por Bolsonaro, é que ao longo de sua campanha, e nos primeiros meses de gestão, o presidente bateu forte na tecla de que o “Centrão” - grupo político integrado pelo MDB, PP, PTB, DEM, PSC, Patriotas, entre outros - jamais teria espaços em seu governo.

BATENDO À PORTA

Sérgio Moro, ex-capitão da Lava Jato e ex-ministro da Justiça, não está parado, à espera de condução para introduzi-lo nas eleições de 2022. Moro tomou a iniciativa de buscar o Podemos para oferecer sua candidatura à Presidência. Há conversações.

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O diálogo Moro/Podemos deve ser indicativo de que Jair Bolsonaro desistiu de sua filiação no partido.

SISTEMA S

Um foco significativo no incêndio de desagrados com Paulo Guedes, e, por extensão, com o governo, encontra-se no Sistema S. Empresários têm se mobilizado para tentar barrar corte de 30% nas verbas federais destinadas às nove entidades que compõe o conglomerado.

ECONOMIA ATIVA

O prefeito Dário Saadi fará nova live nesta quinta-feira (22) em sua página no Facebook para mais anúncios de medidas do Plano de Ativação Econômica e Social - PAES.

RESÍDUOS SÓLIDOS

Será nesta sexta-feira, 23, às 10h da manhã, em ambiente virtual, a audiência pública da Parceria Público-Privada - PPP do lixo.

COTAS NO M. GATTI

Resolução publicada ontem no Diário Oficial do Município leva a Rede Mário Gatti a adotar 20% de cotas para negros e pardos em seus concursos até 2029.

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Luiz Roberto Saviani Rey/ Diretor editorial do Correio Popular