Publicado 17 de Julho de 2021 - 11h16

Por Luiz Roberto Saviani Rey/ Diretor editorial do Correio Popular

O bochincho ontem nos meios políticos, do Oiapoque ao Chuí, foi por conta da aprovação no Congresso Nacional do “Fundão” em triplicata, o Fundo Eleitoral - dinheiro público que será distribuído aos partidos políticos para sustentar as eleições majoritárias de 2022 - saltou dos R$ 2 bilhões de 2018 para R$ 5,7 bilhões, deixando assustados até mesmo políticos de nomeada, lideranças de todos os matizes e apoiadores, da direita à esquerda. Mesmo os que apoiam partidos de situação manifestaram ira e revolta.

COFRE DO TIO PATINHAS 2

Um dos segmentos mais indignados com o Fundão era o do bolsonarismo, que votou confiante no fim do esbanjamento do dinheiro público - que no Brasil, é mais privado e apropriado do que as moedas do estufado e opulento cofre do Tio Patinhas, nas cenas de Walt Disney. O dinheiro dourado do Fundo Eleitoral encontrava-se embutido na LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias, aprovada na Câmara dos Deputados, semana passada, com larga vantagem de votos, é claro.

FRASE

"Sou contra o Fundão Eleitoral, mas votei a favor”

Eduardo Bolsonaro, deputado do PSL-SP

O ÁLIBI PEREITO

Interessante, após as explosões de protestos e reclamações de eleitores nas redes sociais, é que todos os parlamentares que deram aval à triplicação do valor do Fundo Eleitoral procuraram arranjar justificativas, algumas pífias e injustificáveis.

O ÁLIBI PERFEITO 2

Entre eles, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL)-SP, filho do presidente da República, que sorriu amarelo para os fotógrafos ao responder ser frontalmente contra o uso de verbas públicas, mas que votou a favor, simplesmente.

O ÁLIBI PERFEITO 3

Outros contrários, pero no mucho, foram Carla Zambelli (PSL-SP), Bia Kicis (PSL-DF) e Marco Feliciano (Republicanos-SP). O álibi mais “perfeito” foi no sentido de que, embora desaprovassem, sentiram-se forçados a dar o aval para não adiar a votação da lei e prejudicar o governo.

VOTO CAMPINEIRO

O deputado campineiro Carlos Sampaio (PSDB) se diz frontalmente contrário ao financiamento público das campanhas eleitorais, e revela que votou na LDO, porque a votação do Fundão viria na sequência.

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Carlão Sampaio afirma, no entanto, nunca ter recebido recursos dessa fonte em suas campanhas eleitorais.

MORO EM CENA

Um grupo de ex-apoiadores de Bolsonaro e de partidos conservadores - que se autodeclara decepcionado com os rumos políticos - defende, agora, o lançamento da candidatura à Presidência da República do ex-juiz Sérgio Moro.

MORO EM CENA 2

Na verdade, já há movimento franco e aberto em favor de Moro - ex-Lavajato e ex-mnistro da Justiça - para que atue como terceira via, uma candidatura que se sustente como alternativa entre Bolsonaro e Lula. Moro mora nos EUA.

CONCORRENTE

Enquanto João Doria corre e trabalha para aplainar o caminho de seu vice, Rodrigo Garcia, ao Palácio dos Bandeirantes, o partido Novo aprova o primeiro pré-candidato para o governo de São Paulo, em 2022. O escolhido é o deputado federal Vinícius Poit, atual líder do partido na Câmara.

VOTO ADIADO

Um sururu generalizado na sessão de ontem adiou para agosto - após o merecido descanso dos parlamentares - a votação da PEC 135/2019, que institui o voto impresso, menina dos olhos do presidente Jair Bolsonaro.

VOTO ADIADO 2

O adiamento do voto impresso foi providencial para a bancada do governo, cujos integrantes pressentiram riscos e uma possível severa derrocada, caso a PEC fosse levada a plenário.

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Luiz Roberto Saviani Rey/ Diretor editorial do Correio Popular