Publicado 05 de Junho de 2021 - 9h51

Por Luiz Roberto Saviani Rey/Correio Popular

A indisfarçável e súbita agitação nos meios políticos de Campinas - com reflexos na RMC -, traduzida por embates entre o deputado estadual Rafa Zimbaldi e o prefeito Dário Saadi, e entre outras figuras de destaque, não ocorre de forma natural, ou somente por tentativas antecipadas de definição de legendas para 2022. A maré alta tem a ver um tanto com essa disputa eleitoral, mas as razões é que alteram valores. Desde que Doria jogou com possibilidade de concorrer à sua reeleição, a guerra surda foi ao ar.

ALTERANDO A ROTA

O governador de São Paulo avalia chances de concorrer à Presidência da República desde o final de semana. Munido de dados e de prospecções, João Doria concluiu - e nisso teve o auxílio de assessores e observadores - que seu nome sumiria entre traços das pesquisas eleitorais, ante a polarização posta de Bolsonaro e Lula. Doria não quer perder o bonde do poder e ter de esperar dois anos por novas eleições. Ficar nos Bandeirantes, avalia, seria boa opção.

"A não punição do general Pazuello é ataque frontal à disciplina e à hierarquia, e uma desmoralização” (General Carlos Alberto dos Santos Cruz)

TOCA A TROMBETA

A intenção de João Doria em continuar governador não é nova e é pontual e momentânea. Segundo fontes do Palácio dos Bandeirantes, é “apenas uma cogitação”. Até porque, o PSDB ainda terá de passar por convenção para definir seus candidatos.

TOCA A TROMBETA 2

De qualquer forma, esse ímpeto novo de Doria produz movimentação na rede política do interior, atera alianças e apoiamentos e a formação de grupos políticos. Correligionários começam a tocar trombetas para rebalançar as ovelhas.

ASA FORA DO NINHO

Candidatíssimo ao cargo de governador de São Paulo, o médico Geraldo Alckmin cogita trocar o PSDB, do qual é um dos fundadores, pela sigla dos Democratas.

ASA FORA DO NINHO 2

Esta semana, após fortes investidas, a direção nacional do DEM ofereceu a Geraldo Alckmin mais que a simples filiação e a legenda de governador. Quer dar a ele o controle total e absoluto do partido no estado.

LIVRAMENTO

A decisão do comandante-geral do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, de não punir o ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello pela participação em ato político no Rio de Janeiro dividiu as Forças Armadas e deixou rabiscos na imagem do Exército.

LIVRAMENTO 2

As reações mais significativas partiram da Marinha e da Aeronáutica. Tanto que o Alto Comando do Exército manifestou preocupação quanto à sua própria decisão, e assumiu ter consciência de que o perdão dado a Pazuello caiu mal.

VOZ CONTRÁRIA

O general Carlos Alberto Santos Cruz, que já compôs o time de Jair Bolsonaro como secretário de Governo, proclamou ontem seu desagrado: “A politização das Forças Armadas precisa ser combatida”.

JUSTIFICATIVA

Segundo fonte militar, uma das razões que teria confluído para a decisão sobre Pazuello - de poupá-lo da punição prevista no regulamento -, residiria na prudência e no temor de jogar um general, com o perfil de ex-ministro, humilhado e diminuído nas garras e na fogueira das vaidades da CPI da Covid, caso volte a ser convocado, ou sofra sanções.

JUSTIFICATIVA 2

A mesma fonte aventa a possibilidade de Eduardo Pazuello ser recolhido à reserva do Exército, após baixar o pó astral e o palanque eleitoral da CPI da Covid.

PERSONALIDADE

Morreu o médico cardiologista campineiro Alberto Liberman, um dos fundadores da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas e figura atuante na implantação do Hospital Universítário Celso Pierro.

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Luiz Roberto Saviani Rey/Correio Popular