Publicado 30 de Maio de 2021 - 9h36

Por Luiz Roberto Saviani Rey/Correio Popular

O prefeito Dário Saadi vive a situação inusitada de ter de se dividir entre as ações de combate à pandemia e a luta para conter divergências internas ao seu governo, por conta de desentendimentos entre secretários e diretores ou pelas intrigas que partem de diretórios de partidos políticos, os quais, no quinto mês de gestão, pugnam por trocas em secretarias-chave. Dário assiste de camarote aos embates, e espera calmaria na questão da covid-19 para ajustes que equilibrem o governo rumo a novos dias.

QUEM MANDA NA CASA?

O grande problema das administrações públicas na atualidade, é que gestores já não conseguem montar quadros de assessores de primeiros escalões apenas com pessoal do círculo ou técnicos de carreira. Todas as definições, exceto raras exceções, são indicadas por siglas partidárias, e nem sempre os partidos têm pessoal qualificado para determinadas funções. Caso dos conflitos no PSL campineiro, que vem pedindo há um mês a troca na pasta do Planejamento.

 

FRASE

"Convocar os governadores para depor na CPI é uma hipótese de intervenção federal nos estados” (Flávio Dino, governador do Maranhão)

DIVAS EM FOCO

O conflito na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico tem uma motivação específica e pontual. Além das diferentes visões sobre conteúdos de gestão e de vaidades, há um convite para que a diretora de Turismo, Alexandra Caprioli, assuma a pasta vaga da Cultura.

DIVAS EM FOCO 2

Ocorre que a especialidade de Alexandra é o turismo, a hotelaria e os meandros aeroportuários. Um trabalho de longa data e de resultados. Assim como os resultados da ação de Adriana Flosi, do Desenvolvimento Econômco.

DIVAS EM FOCO 3

Alexandra Caprioli teria sido picada pela mosca da Cultura, mas teria cogitado uma aproximação de áreas, insinuando a possibilidade do desmembramento da Diretoria de Turismo, a qual deixaria a esfera econômica da Prefeitura, então, passando a ser alocada na Secretaria de Cultura. Aí a máquina emperra.

TERCEIRA GUERRA

A crise desta semana ficará por conta da convocação de 17 governadores de estados brasileiros para depoimento na CPI da Covid do Senado. O bloco dos chamados ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal contra a convocação.

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Argumento dos governadores junto ao STF: a CPI da Covid, ou qualquer outra comissão dessa natureza, não dispõe de competência para chamar autoridades estaduais. Segundo eles, a prerrogativa, nesse caso, é só das assembleias legislativas.

NOVA ONDA

A Fiocruz, que é um órgão científico e de pesquisas, portanto sem caráter político, advertiu neste final de semana que a volta do país à chamada normalidade poderá acelerar a terceira onda da covid no Brasil, com consequências maiores do que o já ocorrido neste ano.

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Dado interessante da contaminação do coronavírus: Brasília contabiliza mais mortos por covid-19 do que 180 países.

DISTANCIAMENTO

Uma leve observação nos cenários da política nacional permite detectar um profundo e quase irreconciliável afastamento entre Jair Bolsonaro e seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão.

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O clima entre ambos vinha se deteriorando desde o agravamento da crise da pandemia, mas tornou-se evidente a partir de fevereiro, quando Mourão começou a murmurar sobre a intenção de Bolsonaro de trocá-lo na chapa de vice, em 2022.

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As desconfianças se agravaram com o episódio do apoio de Pazuello a Bolsonaro, na motociata do Rio, há uma semana.

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Luiz Roberto Saviani Rey/Correio Popular