Publicado 17 de Julho de 2021 - 11h28

Por Sérgio Caponi

Que dinheiro é coisa do capeta, ninguém duvida...

Dai a Cesar... (lembra?)

O constrangedor é que mesmo o sendo, não se vive sem.

Minha relação com o vil metal, confesso, tem sido não só vil, mas também dúbia, posto que dinheiro é chave de quase tudo.

Quando, porém, vejo minha pátria dividida e à beira do caos, não há como não ligar uma coisa à outra.

Aliás, até pra economista amador como eu, a ligação é clara: o diabo queima dinheiro para derreter os cérebros!

Por isso falta dinheiro bastante para políticos, para ladrões e, por decorrência, até para o pessoal carente.

Daí que pensando a economia como fonte de felicidade e de infelicidade das pessoas e das nações, descobri, em meu absoluto amadorismo, que nossos economistas focados nas políticas operacionais se esquecem das estruturais.

Como dar palpite não ofende, sigo a crônica...

Comecemos pelo PIB per capta dos brasileiros de R$35.172,00 anuais em 2020.

Bonito não? Até parece que aqui não se passe fome já que dividido por 12 tem-se R$2.931,00 por mês para cada brasileiro.

Uma maravilha!

Mas então porque a miséria?

Vejamos, porém, mais de perto esse número.

Que a carga tributária come 40%, ou seja, R$1.172,4 desse PIB per capta, tomando alguns goles, até dá para aceitar, dado a necessidade de haver Estado que os mame.

Outra ponderação é que as empresas e o 1% mais rico da população ficam com a metade, o que também não seria de todo mal caso reinvestissem em atividades produtivas geradoras de empregos.

Ao final das contas, porém, sobram exatos R$879,30 para cada brasileiro médio subsistir, o que feita novamente as contas, pode facilmente indicar algo em torno de R$200,00, ou menos, por mês para que o brasileiro pobre não morra de fome.

Por isso arrisco afirmar que o mal maior do “Capetal” venha de um fator financeiro bem mais sutil e demoníaco, algo de difícil percepção até para economistas profissionais costumeiramente focados apenas em taxa de juros e equilíbrio monetário e fiscal.

Vendo a coisa como engenheiro e economista amador, verifico que a parte do PIB oriunda das exportações, 15,7%, ou seja, US$224,000,000, para felicidade dos bancos suíços, é depositado em dólares em Berna no Banco de Pagos Internacionais, e só entra no nosso país via US$ 159,019,231 de produtos importados que, competindo com os nossos, evitam a impressão de inflacionários R$826.900.000,00 que lhes equivaleriam.

Tudo bem: a gente fica feliz em comprar smartfones e produtos chineses baratos. Só que esse é o tiro no pé estrutural de que não se apercebem os economistas.

Esses dólares depositados em Berna são a fonte de nossa desgraça social.

Simples assim: ao deixar os dólares parados em Berna e ao importar produtos para aproveitar nosso superávit sem gerar inflação, o que se faz é implodir a indústria nacional que fica sem capacidade de competição diante de produtos subsidiados pelo governo chinês e outros governos, (caso haja). O que parece ser irrisório, em questão de anos, não só arrasa toda a economia e destrói nosso secular parque industrial, como implode salários e empregos que a exportação de comodities é incapaz de substituir. A cereja do bolo é produto chinês com a tarja “Made in Brazil” que o Ministério da Indústria e Comércio faz de conta que não vê e os meios de divulgação comprados pelos chineses jamais denunciam.

Dispensável dizer que reservas em moeda estrangeira é piada de mau gosto. Só favorece o banqueiro suíço e o dono da moeda, evidentemente, e ainda corre risco de desaparecer caso o dólar despenque, tal como se prevê.

O correto seria fazer o que faz a Noruega que investe seus superávits em ações de multinacionais e recebe dividendos por eles para sustentar o governo e reduzir os impostos, o que, dispensável dizer, é a melhor, senão a única forma de termos competitividade diante do truste chinês, diga-se de passagem, o maior e mais imoral da História da Humanidade. Aí, sim, poderíamos, como fez a Índia, recomprar nossas empresas e, de quebra, combater a miséria gerando empregos e substituindo importações desnecessárias. Só assim o governo teria renda própria para facilitar a fluidez econômica em vez de atravancá-la como peso morto dependurado no pescoço da iniciativa privada.

Mas ao contrário disso nossos economistas aumentam impostos, (não é Paulo Guedes?), posto que esse seja exatamente o plano diabólico que seguimos como bons cordeirinhos rumo a hipertrofia do Estado, ao globalismo e ao matadouro socialista.

Mas como não sou economista e não pretendo desafiar os semideuses da economia e da política, diante de uma sociedade estupidamente dividida limito-me, modestamente, a repetir Sócrates com o cálice de cicuta à mão por desafiar os deuses atenienses

- “Desculpa aí, turma! Podem ficar com seus deuses fajutos que estou pulando fora. Feliz decadência e escravidão a todos.”

Escrito por:

Sérgio Caponi