Publicado 10 de Setembro de 2021 - 8h55

Por Paulo Coelho

Ajudando nos problemas

Pela manhã, o discípulo foi visitar seu mestre.

- Tenho um importante problema para resolver - disse.

- Gostaria que me ajudasse, porque tenho pressa.

- Como posso ajudá-lo? Eu posso saber como me comportar diante de determinado problema, mas essa é a minha maneira de agir. Se você está procurando crescer, observe os outros, mas jamais procure agir exatamente como eles. Cada pessoa tem um caminho diferente nesta vida.

"Não nos transformamos em mestres porque sabemos repetir o que os mestres fazem, mas porque aprendemos a pensar por nós mesmos. Descubra sua própria luz ou passará o resto da vida sendo um pálido reflexo da luz alheia."

A iluminação em sete dias

Um mestre zen dizia:

- Buda afirmou aos seus discípulos: quem se esforça pode alcançar a iluminação em sete dias. Se não conseguir, com certeza alcançará em sete meses, ou em sete anos.

Entusiasmado, o jovem perguntou como conseguiria chegar à sabedoria em sete dias.

- Concentração, foi a resposta.

O jovem começou a praticar, mas em dez minutos já havia se distraído. Recomeçou, e de novo perdeu a concentração.

Depois de uma semana, não havia conseguido nada de concreto, mas estava mais atento a sua ansiedade e suas fantasias. Aos poucos, foi prestando atenção em tudo que o distraía, e achou que não estava perdendo tempo, mas se acostumando consigo mesmo.

Um belo dia, o rapaz decidiu que não era preciso chegar tão rápido à sua meta, já que o caminho estava lhe ensinando muitas coisas.

E foi neste momento que se tornou um iluminado.

A história das duas rãs

Existem certas horas em que a paciência, por mais difícil que seja, é a única maneira de suportar determinados problemas. A famosa história a seguir ilustra bem a virtude de saber esperar:

Duas rãs caíram dentro de uma jarra de leite. Uma era grande e forte, mas impaciente e, confiando na sua forma física, lutou a noite inteira, debatendo-se para escapar.

A outra rã era pequena e frágil. Como sabia que não teria energia para lutar contra seu destino, resolveu entregar-se. Com suas patas, fez apenas os movimentos necessários para manter-se na superfície, sabendo que cedo ou tarde iria morrer.

"Quando não se pode fazer nada, nada se deve fazer" pensava ela.

E assim as duas passaram a noite - uma na tentativa desesperada de salvar-se, a outra aceitando com tranquilidade a ideia da morte.

Exausta com o esforço, a rã maior não aguentou e morreu afogada. A outra rã conseguiu boiar a noite inteira e quando, na manhã seguinte, resolveu entregar-se, reparou que os movimentos de sua companheira haviam transformado o leite em manteiga.

Tudo o que teve de fazer foi pular para fora da jarra.

Escrito por:

Paulo Coelho