Publicado 01 de Janeiro de 2022 - 12h50

Por Do Correio Popular

 O novo ano se inicia e a mágica acontece outra vez, renovando-se as esperanças de bilhões de pessoas em todo o planeta

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O novo ano se inicia e a mágica acontece outra vez, renovando-se as esperanças de bilhões de pessoas em todo o planeta

O novo ano se inicia e a mágica acontece outra vez, renovando-se as esperanças de bilhões de pessoas em todo o planeta. Para alguns físicos, matemáticos e cientistas, o tempo não existe. Logo, para o universo o passar dos anos seria apenas uma abstração criada pelo homem. Como então compreender sob a perspectiva terrena esse fenômeno que todo início de ano renova as nossas esperanças? Alguns observadores e estudiosos do pensamento humano recorrem aos ensinamentos de Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático considerado o pai da dialética, que formulou uma teoria para explicar o fenômeno da esperança. "Se não se espera, não se encontrará o inesperado, pois ele não é encontrável e é sem acesso" (Heráclito de Éfeso).

Na linguagem enigmática do antigo filósofo, que lhe é própria, ele diz que quando não se espera, não se encontra o inesperado. Ou, dito com outras palavras: quem não espera, fecha definitivamente as portas para o encontro, pois este só é possível quando se espera, quando existe uma abertura interior para o encontro. Só vê acontecer o que espera, aquele que continua esperando, não obstante, todas as dificuldades que possa encontrar no caminho da procura e da espera.

Todavia, mesmo quando acontece, o esperado não é encontrável porque não existem caminhos que nos levem até ele. Ele é sem acesso. Segundo Heráclito de Éfeso, o esperado não deve ser concebido como um termo a que se chega, um objeto que se encontra ou se recebe, como um prêmio que se consegue no fim da caminhada. Na sua essência, a esperança é, antes, um horizonte que se descortina, um apelo que nos convida a caminhar e a ir sempre adiante pelos caminhos da vida. "Esperança não é esperar, é caminhar".

Para os estudiosos do pensamento de Éfeso, é desse modo que ele concebe a esperança. Esta não deve ser considerada o desejo de uma "realidade objetiva" que se pode representar no presente e imaginar como uma recompensa que nos será dada no futuro, nem muito menos "algo concreto", cuja posse se consegue no fim da caminhada. Por mais obscuro que seja o seu modo de falar, a filosofia de Éfeso nos leva a pensar a esperança sob a forma de uma "disposição interior", ou de uma "força psíquica", que sustenta o desejo de caminhar. Neste sentido, a esperança só se concebe enquanto sustenta o desejo de ir na direção de um objeto que não se tem e que se o tivéssemos, extinguiria o próprio elã da esperança.

Feliz Ano Novo!

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