Publicado 21 de Dezembro de 2021 - 9h12

Por Do Correio Popular

O estudo realizado pelo Ipea identificou que uma pequena parcela do corpo discente está preparada para o ensino digital

Studio Formatura/ Galois

O estudo realizado pelo Ipea identificou que uma pequena parcela do corpo discente está preparada para o ensino digital

A desigualdade no ensino irá piorar após a pandemia, afetando quem já estava em desvantagem econômica e social antes da crise sanitária. Este foi um dos aspectos analisados em um estudo publicado no segundo trimestre deste ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O impacto se deu por conta da educação a distância em escolas públicas, onde os alunos não dispõem dos mesmos recursos dos estudantes do ensino privado. Com o retorno ao ambiente escolar, os professores começaram a dimensionar os danos causados à formação educacional.

As principais políticas públicas para a educação básica e superior em 2019 e 2020 também foram analisadas no estudo. A pesquisa revelou diferenças entre gerações de professores quanto ao uso de computadores e da internet, e a falta de infraestrutura na residência de alunos da rede pública. Especialistas afirmam que, ao contrário do pressuposto pelo senso comum das pessoas, a migração do ensino presencial ao formato a distância requer empenho e capacidade do docente, além de plataformas e softwares específicos de ensino remoto, que exigem uma curva de aprendizagem e uma base de vivência tecnológica consideráveis.

Não obstante, a maior dificuldade é enfrentada pelos alunos. O estudo realizado pelo Ipea identificou que uma pequena parcela do corpo discente está preparada para o ensino digital. A maioria das pessoas mais vulneráveis não possui acesso à banda larga, nem um espaço adaptado ao ensino em casa. Sendo assim, a previsão para os próximos exames de avaliação do ensino no Brasil é bastante preocupante. A expectativa é a de que haverá uma regressão nos índices de aprendizado no país.

Em entrevista exclusiva ao nosso jornal, na edição de domingo, o diretor pedagógico do Colégio Notre Dame, Lorenço Jungklaus - um dos profissionais de pedagogia mais respeitados do país -, também demonstrou sua apreensão com os prejuízos na aprendizagem e no equilíbrio emocional das crianças e adolescentes. Diante da ameaça de quarentena, agravada por novas cepas, o diretor do Notre Dame emite um alerta, baseado na experiência dos últimos dois anos: se a população for castigada com uma nova onda de infecções, a opção de afastar os alunos da sala de aula deverá ser bem ponderada e discutida, dada a experiência negativa anterior. Isto posto, as discussões sanitárias deveriam incluir profissionais da área da educação quando o futuro de crianças e adolescentes estiver em jogo? A resposta é sim.

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