Publicado 14 de Outubro de 2021 - 9h00

Por Do Correio Popular

As estatísticas sobre o emprego no pós-pandemia evidenciam a pujança da economia local. Passada a fase aguda do tsunami sanitário, um peculiar perfil de mercado de trabalho emerge dos escombros. De acordo com dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o avanço da vacinação e o abrandamento das restrições impostas pela pandemia impulsionam a retomada. No final do ano passado, o saldo de admissões e demissões chegou a zerar na Região Metropolitana de Campinas. Hoje, esse percentual saiu do zero e atingiu a marca de 15% de crescimento na região neste primeiro semestre de 2021. Os dados estão disponíveis no Observatório do Trabalho, um documento de análise técnica sobre emprego e renda elaborado pelo Centro Público de Apoio ao Trabalhador (CPAT).

A pandemia consolidou uma tendência - que já vinha sendo observada há anos no mercado de trabalho - favorável às áreas de recursos humanos, tecnologia da informação e planejamento financeiro. Uma renomada instituição de pesquisa descobriu que esses setores oferecem salários considerados elevados para a realidade brasileira. Outro aspecto relevante consiste no sistema híbrido de trabalho adotado por esses segmentos, que mescla atividades presenciais e a distância, uma saída imposta pela pandemia e que acabou se consolidando.

Campinas vem se fortalecendo como polo nacional de ciência e tecnologia, atraindo empresas do ramo e profissionais com boa oferta de empregos e salários. Por outro lado, as pequenas firmas, que contratam até quatro empregados, são responsáveis por sustentar o saldo de emprego em patamares razoáveis na região. Não obstante, as que empregam entre 5 e 19 pessoas são as que apresentam o pior desempenho em termos de mercado de trabalho, um claro sinal das enormes dificuldades que enfrentam num ambiente econômico adverso e fortemente agravado pela pandemia.

Ainda que o mercado de trabalho tenha esboçado uma sensível recuperação no primeiro semestre de 2021, por força de um maior controle sanitário, é imperativo que o Poder Público, em todas as suas esferas, amplie o socorro financeiro à população de baixa renda e auxilie as empresas de pequeno e médio porte, sob a forma de garantia de crédito subsidiado, de assunção de parte do custo das folhas de pagamento e novos critérios para a política de compras governamentais de forma a favorecer o setor. A mão forte do Estado não pode faltar nesses momentos angustiantes e imponderáveis.

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