Publicado 10 de Outubro de 2021 - 9h50

Por Do Correio Popular

Há duas décadas, o Brasil assistia horrorizado às cenas bárbaras de uma sangrenta rebelião de menores infratores que cumpriam medidas educativas na extinta Febem Imigrantes, na zona sul de São Paulo. O motim terminou com um saldo trágico: quatro internos mortos, 30 feridos (entre adolescentes e funcionários) e toda a unidade destruída, após um tumulto que durou cerca de 18 horas. Dias depois da rebelião, ocorrida em 25 de outubro de 1999, o então governador Mário Covas anunciaria a desativação da unidade e a reestruturação da instituição. Essa decisão política e administrativa do governo do Estado estancaria uma sequência de crises e instabilidades na Febem, com a adoção de um novo formato de gestão.

As rebeliões eram motivadas pela superlotação nas unidades e o tratamento agressivo que alguns funcionários da instituição à época impunham aos infratores. Ex-servidores que trabalhavam nessas unidades relataram, anos depois, as condições degradantes aos quais os jovens eram submetidos: espancamentos diários, superlotação, doenças de pele e um clima de terror generalizado. Hoje, tudo isso faz parte do passado. No lugar da Febem, de triste lembrança, surgiu a Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA), que hoje constitui um exemplo de ressocialização.

A instituição é vinculada à Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania e tem a missão de aplicar medidas socioeducativas de acordo com as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Uma das estratégias bem-sucedidas da profunda transformação que o sistema sofreu após a extinção da antiga Febem foi a descentralização das unidades. Em 2005, 82% dos adolescentes do Estado estavam em grandes complexos na Capital. Com a descentralização, a equação se inverteu: cerca de 43% estão no interior.

Agora, um novo capítulo está sendo escrito na história da fundação. O governo do Estado anunciou um programa de investimentos em capacitação profissional para garantir que os jovens que retornam à sociedade possam se inserir, com segurança, no mercado de trabalho. Para isso, será contratada uma empresa especializada para acompanhar a intermediação de encaminhamentos para vagas de emprego. Além disso, os internos vão receber tablets e terão acesso à internet. Para completar, haverá uma ampla reforma em todas as instalações da fundação. Um investimento público de grande dimensão social para o futuro dessa juventude.

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