Publicado 15 de Setembro de 2021 - 8h53

Por Do Correio Popular

Na semana das comemorações de Sete de Setembro, as instituições da República estiveram muito próximas de uma ruptura total. Quando tudo parecia irremediavelmente perdido, um sopro de bom-senso quebrou o clima de beligerância institucional que ameaçava o país. Essa aparente trégua restabeleceu a paz, pelo menos por enquanto. No entanto, longe das hostes do poder, os dramas da fome e do desemprego, agravados pela pandemia, assombram milhares de pessoas. Esse flagelo se espalha por todo o Brasil. Em Campinas, a Secretaria Municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos registrou, entre 2020 e 2021, a entrada de cinco mil novas famílias no cadastro municipal de vulnerabilidade. Com isso, hoje são 90 mil pessoas vivendo nessa triste condição, dependendo de todo tipo de ajuda e de socorro para garantir o alimento de cada dia.

A tragédia sanitária da covid-19 empurrou milhares de pessoas ao abismo social, mas há que se apontar que essa crise já vinha sendo alimentada há mais tempo. Matéria publicada na edição de ontem do nosso jornal faz uma radiografia desse caos econômico. O professor de sociologia, Ricardo Antunes, lembra que o atual cenário reflete um processo de corrosão econômica e política sem precedentes na história recente do país. Segundo ele, a sociedade está em decomposição, nos seus mais diferentes setores, com 60 milhões de pessoas endividadas e 20 milhões de desempregados. Diante disso, a luta diária por um prato de comida se torna um enorme desafio. Sem saída, os desamparados recorrem ao serviço social e às entidades que formam uma corrente de solidariedade. É isso o que alivia o estômago de muita gente.

Nesse contexto, os serviços de assistência ganharam protagonismo, devido ao auxílio prestado às pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. Não fosse essa cadeia de união, formada por mais de 100 organizações da sociedade civil, parceiras da Federação das Entidades Assistenciais de Campinas (Feac), a insegurança alimentar seria ainda mais avassaladora, visto que o programa de auxílio emergencial do governo federal não se mostrou suficiente para conter os impactos da crise econômica e do desemprego.

No entanto, essa gigantesca pressão acaba saturando e esgotando as possibilidades de expansão e de socorro das próprias entidades. Assim, é preciso reforçar a corrente de doações, até que o país consiga retomar o desenvolvimento econômico, condição indispensável para o enfrentamento dessa crise.

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