Publicado 14 de Setembro de 2021 - 8h51

Por Do Correio Popular

Por conta do monumental descaso e da desorganização vergonhosa do governo federal, via Ministério da Saúde, os pacientes que sofrem de doenças graves como Parkinson, Alzheimer, leucemia, artrite reumatoide, câncer e esclerose múltipla, entre outras, vivem agoniados e desesperados, com a falta de medicamentos para tratamento dessas enfermidades nas farmácias de alto custo. Essas unidades são administradas pelo governo do Estado, mas a responsabilidade pelo fornecimento dos remédios é do Ministério da Saúde.

Reportagem publicada no último domingo pelo nosso jornal mostra o drama vivido por essas pessoas em Campinas. Dos 300 fármacos denominados excepcionais pela sua complexidade e preço elevado, 42 estão em falta há vários meses, por falha do Ministério da Saúde. Com isso, cerca de 550 mil pessoas em todo o Estado de São Paulo são prejudicadas. O problema se repete em quase todo o território nacional e a justificativa do governo federal para a escassez é evasiva e camuflada, o que, na prática, apenas evidencia o drama vivido por milhares de pessoas.

Só para ter uma ideia, as doses unitárias de alguns desses medicamentos chegam a custar de R$ 1,5 mil a R$ 7 mil. Para muitos enfermos, ficar sem esses remédios significa prejuízo no tratamento, muitas vezes irreversível, levando as vítimas a sofrerem dores lancinantes, piorando o estado geral de saúde e a qualidade de vida. Uma tortura aos que padecem diante do flagelo do abandono por parte do governo federal, que promoveu um verdadeiro desmonte do Ministério da Saúde.

A Constituição de 1988 assegura que a saúde é um direito fundamental. Isso quer dizer que todos devem ter acesso a tratamento adequado, fornecido pelo poder público. Portanto, o fornecimento gratuito de remédios, cujos preços são inatingíveis, é um direito do cidadão. Sem a medicação necessária ao tratamento, a saída encontrada por muitos pacientes é a de recorrer à Justiça, que, invariavelmente, reconhece o direito expresso na Carta Magna e obriga a União a fornecer ou conceder o valor para a compra do medicamento.

A exemplo da falha no fornecimento dos medicamentos de alto custo, o Ministério da Saúde deixou de enviar cerca de 1 milhão de vacinas da AstraZeneca para São Paulo. Devido ao descaso da União, o governo do Estado busca alternativas, usando a Pfizer para completar o ciclo vacinal, além de cobrar do governo federal o envio das doses faltantes. Um descaso inaceitável do Ministério da Saúde que merece repúdio e protesto.

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