Publicado 10 de Setembro de 2021 - 8h55

Por Do Correio Popular

A solicitação de poda e extração de árvores no perímetro urbano de Campinas é uma das demandas mais comuns na Prefeitura de Campinas. Diariamente, pedidos nesse sentido são protocolados no Departamento de Parques e Jardins, órgão responsável pela execução do serviço, por intermédio do Canal 156 ou por indicação de vereadores. Outra demanda refere-se aos pedidos de proteção de espécies arbóreas, que, na prática, impede que determinadas árvores consideradas especiais pela sua raridade, beleza, antiguidade, tradição histórica, interesse científico ou paisagístico sejam declaradas imunes ao corte, ou seja, não podem ser derrubadas. Um exemplo disso são as Palmeiras Imperiais da Praça Carlos Gomes.

Sem entrar no mérito dessas solicitações, tanto as de poda quanto de preservação, cabe ressaltar que a inexistência de uma lei que regulamente o serviço acaba criando atritos entre o Poder Público e o cidadão. A maioria dos pedidos de poda se refere a galhos ou raízes que ameaçam derrubar muros, destruir calçadas ou danificar o patrimônio dos moradores. Há também aqueles que se queixam do clima de insegurança à noite, por conta da escuridão provocada por galhos que atrapalham a iluminação pública. Ocorre que a autoridade responsável pelos parques e jardins precisa estar respaldada tecnicamente por laudos que atestem a real necessidade de se cortar ou podar uma determinada árvore.

Assim, diante da complexidade do assunto e da alta demanda de protocolos pedindo poda de árvores, a resposta aos interessados pode demandar um tempo considerável, o que gera incompreensão, aborrecimento e até atos imprudentes. Alguns moradores se sujeitam a multas ao se arriscarem a fazer o serviço por conta própria, resultando, muitas vezes, em acidentes a si próprios e a terceiros. Na outra ponta, atuam os defensores do meio ambiente, que partem para gestos extremados, como o de se acorrentar a uma árvore ou subir nela para impedir uma determinada ordem de extração.

Com o objetivo de criar regras que disciplinem o plantio, replantio, poda, supressão e o uso adequado e planejado da arborização urbana da cidade, a Prefeitura de Campinas anunciou que vai estabelecer regras claras, de modo a definir o rito processual correto para garantir e orientar o trâmite dos ofícios que chegam até a Administração pública referentes à poda ou proteção de espécies arbóreas. Trata-se de uma iniciativa acertada e que poderá harmonizar os conflitos em torno dessa questão de forma justa e sustentável.

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