Publicado 09 de Setembro de 2021 - 9h07

Por Do Correio Popular

A crise institucional que se instalou entre os três Poderes da República - Legislativo, Judiciário e Executivo, especialmente entre os dois últimos - tomou proporções jamais vistas desde a redemocratização, em 1988, quando a atual Constituição Federal foi promulgada. O clima beligerante entre as instituições republicanas incendeia o país, esgarça os freios e contrapesos previstos na Carta Magna, fragiliza a democracia brasileira e conduz a nação ao caos generalizado. A hora requer serenidade, tolerância, capacidade de diálogo, espírito público e comprometimento absoluto com a paz institucional. Atos políticos extremados e posicionamentos ideológicos radicais não se alinham à longa tradição pacífica e harmoniosa de encontrar saídas para os conflitos.

O Brasil precisa, urgentemente, voltar à normalidade. Com tantos desafios pela frente, uma pandemia ainda em curso, inflação dos alimentos, combustíveis, energia elétrica, remédios, desemprego, crise hídrica do século e uma economia retraída, urge às lideranças políticas buscarem um amplo entendimento que restabeleça o clima de cooperação, de harmonia entre os poderes e de respeito aos ditames máximos que regem a sociedade brasileira, expressos na Constituição. Os ânimos acirrados e o clima de tensão e confronto deflagrados entre os poderes corroem os pilares da Democracia e da República.

Sem um esforço conjunto de contenção da crise, essa onda nefasta pode se espalhar e contaminar setores estratégicos para a já combalida economia brasileira. Em um cenário de forte expansão inflacionária, uma paralisação de caminhoneiros, como começou a se verificar ontem em algumas rodovias, poderá levar o país inteiro ao imponderável. Qualquer tentativa de elevar ainda mais a temperatura política pode representar uma ruptura definitiva, traumática e perigosa. Não haverá vencedores nessa conflagração entre as instituições e os valores mais caros para a sociedade, que são a liberdade e a democracia, podem estar ameaçados.

Após o 7 de Setembro, o país acompanhou os pronunciamentos oficiais dos presidentes do Supremo Tribunal Federal e da Câmara dos Deputados e do Procurador-Geral da República. Felizmente, o tom dos discursos dessas autoridades, por ora, tenta arrefecer os ânimos, exaltados por posicionamentos inflamados e tomadas de posição extremadas, vindas de todas as partes. Definitivamente, é preciso baixar a poeira e restabelecer um clima de diálogo, de harmonia e de equilíbrio e respeito entre os poderes. Pelo bem do Brasil!

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