Publicado 07 de Setembro de 2021 - 10h20

Por Do Correio Popular

Desde tempos imemoriais, a população campineira guarda um certo ressentimento das esferas superiores do Poder Público, leia-se Estado e União, pela falta de uma justa contrapartida em investimentos compatíveis com sua representação política e densidade econômica. Essa insatisfação generalizada começou a se formar nos tempos da grande epidemia da febre-amarela, que quase dizimou a cidade no final do século XIX. Não fosse uma articulação da imprensa fluminense, naquela época, a cidade não teria recebido a valiosa ajuda de médicos, farmacêuticos, enfermeiros, remédios e equipamentos, oriundos do Rio de Janeiro, para salvar a população daquela tragédia sanitária que entrou para a história do município.

Após décadas, esse ressentimento ainda se aplica em muitas áreas. Um exemplo disso é o estado de abandono em que se encontram as margens das ferrovias que cortam a região. Uma reportagem especial, publicada no último domingo pelo nosso jornal, mostra a situação lastimável do patrimônio público ferroviário em Campinas. Apesar das promessas anunciadas pelo governo do Estado de implantação do Trem Intercidades (TIC), o fato é que os projetos caminham lentamente nos gabinetes governamentais, enquanto o mato e a sujeira tomam conta das margens das ferrovias em um cenário de desolação e tristeza, principalmente para as gerações mais antigas que viveram os áureos tempos do transporte ferroviário no Estado de São Paulo.

Será preciso ações concretas por parte do poder público para vencer a incredulidade do campineiro, que está cansado de promessas. A insatisfação e o desânimo criaram raízes profundas ao longo desses 25 anos de absoluto descaso com a malha ferroviária. Nesse período, não foram poucas as vezes em que se ouviu falar de projetos de recuperação desse modal de transporte. Quem não se lembra do mirabolante e ambicioso projeto do trem-bala, que nunca saiu do papel?

De concreto e na realidade, sobra muito mato e lixo às margens dos leitos ferroviários e no Pátio da antiga Estação Fepasa, atual Estação Cultura, o que aumenta a proliferação de insetos e animais peçonhentos, colocando em risco a saúde dos moradores. Além disso, o cenário degradado facilita a presença de usuários de drogas e moradores de rua, aumentando a sensação de insegurança. É preciso maior assertividade dos responsáveis por essas áreas a fim de que sejam limpas e cercadas, acabando com os transtornos decorrentes desse desleixo com o patrimônio público.

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