Publicado 21 de Agosto de 2021 - 9h07

Por Do Correio Popular

O comércio informal existente na região central de Campinas, conhecido como "camelódromo", é o resultado de uma dinâmica própria dos grandes centros e dos conflitos naturais inerentes à luta pela sobrevivência. Quando o problema é visto isoladamente, sem a devida análise de sua gênese social e histórica, incorre-se em conclusões equivocadas e distorcidas diante de um fenômeno urbano. Claro que não foram poucas as queixas de irregularidades e os conflitos entre camelôs e lojas. Contudo, é um equívoco se concentrar apenas nessas querelas, sem aprofundar o assunto e buscar as saídas adequadas.

A polêmica foi objeto de um estudo acadêmico desenvolvido em 2012 por alunos do Instituto de Geociências do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O documento apresenta uma citação do economista Paul Singer, publicada no seu livro "Economia política da urbanização", em que afirma: "a cidade não inventa o comércio, mas muda-lhe o caráter, transformando-o de mero escambo irregular de excedentes agrícolas em intercâmbio regular de bens de luxo, em geral manufaturados."

Alinhando esse conceito à realidade local, temos como exemplo disso o futuro e moderno shopping popular, que será construído no Pátio Ferroviário e abrigará os 1.687 comerciantes que trabalham na região central. A criação do shopping popular é o resultado de um processo que levou 30 anos de negociação. O desafio era costurar um acordo que resgatasse o espaço urbano e, simultaneamente, garantisse justiça social, direito ao trabalho e aos negócios, com respeito às boas práticas de concorrência, regularidade fiscal e cumprimento dos direitos do consumidor. O centro comercial popular, cujo nome oficial será "Estação Centro - Mercado Popular de Campinas", é uma conquista da cidade, negociada pelo Sindicato dos Empreendedores Individuais de Ponto Público Fixo e Móvel de Campinas (Sindipeic), Prefeitura de Campinas e o Ministério Público.

Quem ganha é o cidadão campineiro, que terá uma nova e moderna opção de compras e lazer, localizada no complexo chamado Pátio Ferroviário. O local abriga a Estação Cultura, o Terminal Rodoviário Ramos de Azevedo e o Terminal Metropolitano Magalhães Teixeira. No futuro, ainda receberá o Trem Intercidades (TIC). Por outro lado, o município também será beneficiado com a transferência dos camelôs das ruas para o novo shopping, permitindo a execução do tão aguardado plano de revitalização do Centro. Campinas merece.

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