Publicado 20 de Agosto de 2021 - 7h43

Por Do Correio Popular

O movimento conduzido pelo Governo do Estado de São Paulo, com apoio da Assembleia Legislativa (Alesp), para mudar o atual desenho geopolítico do interior, especialmente na macrorregião de Campinas, atrai especial atenção pela sua peculiaridade administrativa e potencial de alterar o quadro de forças das cercanias campineiras. Da grande região de Campinas, formada por 90 municípios, surgem duas novas áreas metropolitanas: a futura Grande Jundiaí e a recente Grande Piracicaba; além da prometida região administrativa de São João da Boa Vista. Com isso, mais de 50 municípios se desconectarão da macrorregião campineira, que sofrerá uma perda de peso político, representatividade parlamentar e produto interno bruto.

Como adiantou a coluna Xeque-Mate, uma nova região administrativa deverá ser criada no entorno de São João da Boa Vista, município localizado a 123 km de Campinas, que pode ser alcançado em cerca de 1h30 pela Rodovia Adhemar Pereira de Barros (SP-340). Sua população soma 90 mil habitantes. A cidade tem 415 indústrias, 1.400 prestadores de serviços, 42 agronegócios, 10 agências bancárias e 2.432 estabelecimentos comerciais. Na agricultura, destaca-se pela produção de milho, café e feijão e, principalmente, cana-de-açúcar. Na pecuária, o principal produto é o gado de corte.

Na quarta-feira, dia 18, a Alesp aprovou a criação da Região Metropolitana de Piracicaba, formada por 24 municípios e que agora se desmembram da Região Administrativa de Campinas. É importante não confundir região administrativa com metropolitana. São institutos diferentes. Os municípios do entorno de Piracicaba, inclusive, nunca fizeram parte da Região Metropolitana de Campinas, mas integravam a Região Administrativa. Por fim, o aglomerado urbano de Jundiaí será elevado à condição de região metropolitana até o final do ano.

Sem questionar a pujança econômica e o potencial de representatividade dessas regiões, vale indagar até que ponto seus habitantes se beneficiarão da formalização desses novos aglomerados urbanos. Vale lembrar que a RMC, criada há duas décadas, até hoje carece de uma verdadeira infraestrutura urbana e integrada em transporte e sistema viário, meio ambiente, habitação, atendimento social, segurança pública, saúde e saneamento ambiental, entre outros itens, o que faz da RMC uma mera sigla, por enquanto; tanto que os encontros de prefeitos se tornaram uma prática de governança recentemente, após 20 anos de sua criação formal. Vale esperar para conferir.

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