Publicado 10 de Agosto de 2021 - 10h35

Por Do Correio Popular

A edição do último domingo, dia 8, do nosso jornal, destaca os 15 anos da Lei Maria da Penha. Embora seja considerada a terceira melhor lei do mundo de enfrentamento à violência contra a mulher, ela ainda é insuficiente para oferecer o grau de proteção desejado. Segundo a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, a incidência de feminicídio em Campinas é de 3,18 casos a cada 100 mil mulheres. No país, a estatística dessa tragédia é bem maior: 4,8 pessoas mortas por feminicídio a cada 100 mil habitantes.

Não obstante, trata-se da ponta do iceberg, porque os números reais são desconhecidos, dado que a subnotificação dificulta as investigações. Em média, a mulher leva cinco anos para perceber que se encontra em uma relação abusiva e de violência, para só então quebrar o ciclo de agressão e registrar o primeiro boletim de ocorrência. O vínculo entre os envolvidos contribui para esse silêncio e ocultação de crimes.

O fenômeno é uma ferida aberta no seio da sociedade e remonta há séculos. Especialistas apontam que o sistema patriarcal constitui a sua gênese. A misoginia era comum em diversos povos da Antiguidade. Na Grécia Antiga, por exemplo, o filósofo Aristóteles afirmava que as mulheres eram "homens imperfeitos". Traços misóginos também são encontrados em diversas obras. O filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712 - 1778) era um fiel defensor do Iluminismo e da liberdade, mas não para as mulheres. Para ele, as meninas deveriam ser educadas para obedecer ao homem.

Nota-se um acúmulo histórico de desvalorização da mulher. À medida que a luta dos movimentos feministas se intensifica, elas conquistam mais espaço. Entretanto, a misoginia ainda se faz presente em todas as partes do mundo. Não se trata de uma guerra de sexos, pois essa hostilidade também afeta os homens, que se sentem obrigados a demonstrar virilidade e potência, mascarando suas fragilidades. Nesse contexto, é inegável que a Lei Maria da Penha propiciou um avanço importante no combate a essa categoria de violência.

Essa forma de vivenciar as relações entre os gêneros só traz malefícios, sobretudo às mulheres, mas também ao próprio homem. Campanhas, como a do Agosto Lilás, de combate à violência doméstica, e programas de proteção, como o Guarda Amigo da Mulher da Prefeitura de Campinas, são essenciais para reduzir a escalada de violência e prevenir conflitos, de modo que cada gênero, sobretudo o masculino, seja educado a respeitar as diferenças e conviver com respeito e dignidade.

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