Publicado 06 de Agosto de 2021 - 9h39

Por Correio Popular

O Centro de Convivência Cultural de Campinas Carlos Gomes, idealizado pelo arquiteto Fábio Penteado, enche de orgulho a cidade. Inaugurado em 9 de setembro de 1976, o complexo viveu, em pouco mais de quatro décadas, momentos apoteóticos. Em seus palcos, atrações musicais inesquecíveis, como a do maestro e compositor Tom Jobim em 1990, marcaram época, assim como os shows de João Gilberto, Sivuca, Elza Soares, Ângela Maria, Milton Nascimento, Jards Macalé, Belchior, João Bosco, Sá e Guarabira, 14 Bis, Francis Hime e Olívia Hime e Quinteto Violado, entre outros. No teatro, a estreia nacional de Macbeth, com Antonio Fagundes, Vera Fischer e Paulo Goulart, também deixou saudades.

O brilhantismo e o talento de inúmeros artistas, bailarinos, cantores, compositores e músicos fizeram a história desse importante centro cultural. Lamentavelmente, essa obra singular de Fábio Penteado sofreu um processo de corrosão, motivado por equívocos cometidos desde a sua construção e que acabaram culminando com infiltrações de água por toda a sua estrutura, colocando em risco a estabilidade do edifício e agravando as condições de segurança, insalubridade e contaminação do local.

Os problemas são antigos, porém, sucessivas administrações ignoraram os alertas e tentaram contornar a situação com pequenas intervenções paliativas. Somente em 2012, um laudo identificou os inúmeros pontos de infiltração de água em quase toda a edificação por falhas de impermeabilização, as ligações elétricas irregulares, fiações expostas e riscos de curto-circuito, oxidação no aço das lajes e vigas, falta de iluminação e ventilação natural, entre outros problemas. Diante dessa situação caótica, o prédio foi definitivamente interditado e assim permaneceu por 12 anos.

Agora, após 10 meses em obras, o Centro de Convivência começa a renascer, como a Fênix campineira. Pela primeira vez na sua história, o complexo passa por uma profunda e verdadeira reforma estrutural. A drenagem do fundo do palco e o rebaixamento do lençol freático vão possibilitar a reabertura do fosso da orquestra, um espaço rebaixado entre o proscênio e a plateia, onde os músicos se acomodam para a execução de óperas, e que foi originalmente concebido, mas devido às infiltrações acabou sendo fechado. O dia do reencontro dos campineiros com o seu tradicional e amado Centro de Convivência ainda é incerto, porém, as obras estão em ritmo acelerado e as perspectivas são as melhores possíveis. Que esse dia chegue logo.

Escrito por:

Correio Popular