Publicado 05 de Agosto de 2021 - 9h14

Por Correio Popular

A partir da segunda metade do século XX, o êxodo rural se intensificou no Brasil por conta da industrialização. A procura por emprego nas fábricas e na construção civil, por melhores condições de ensino, salário, saneamento básico, entre outros fatores, impulsionaram a migração em massa ocorrida nos anos 70 e 80 aos grandes centros urbanos. Com isso, um forte adensamento populacional transformou radicalmente o ambiente de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Em Campinas, o mesmo fenômeno se repetiu.

O crescimento desenfreado trouxe vários problemas de ordem social. O inchaço das cidades gerou transtornos aos seus habitantes. A lista inclui: a falta de moradia digna, desemprego, desigualdade social, saúde e educação precárias e a violência, alguns exemplos da teia de fragilidades urbanas.

No passado, o conceito de cidade desenvolvida era baseado no crescimento populacional a qualquer custo. A experiência provou o contrário. A ideia de sustentabilidade começou a ser difundida nas últimas décadas, em oposição à falta de planejamento urbano e suas consequências maléficas. Uma delas é o desmatamento. A ausência de elementos naturais compromete a qualidade de vida nas metrópoles.

A cobertura vegetal possui funções ecossistêmicas importantes que garantem um ambiente propício ao bem-estar da população. Entre os benefícios estão a regulação do clima, a absorção da radiação solar, filtragem de poeiras, armazenamento de CO2, barreira para os ventos, melhoria da qualidade do ar, promoção de resfriamento por evaporação, sombreamento e a interceptação de chuvas. No campo econômico, o rol ainda abrange a redução da erosão, aumento da fertilidade do solo, redução dos gastos com aquecimento, ventilação e ar condicionado, proteção das nascentes e mananciais e a quebra da monotonia nas cidades.

Nesse contexto, a notícia de que Campinas conseguiu recuperar parte de sua cobertura vegetal nos últimos dez anos é bastante auspiciosa e, até certo ponto, surpreendente. Prova de que a política ambiental adotada nas últimas gestões municipais está bem estruturada. Apesar do resultado positivo, as próprias autoridades admitem que a área verde total do município - hoje em torno de 14% do seu território - ainda é pequena para o tamanho da cidade. Porém, o ganho ocorrido a partir de 2010 comprova que a cidade está no rumo certo. A sustentabilidade é a palavra-chave para o real desenvolvimento econômico e social.

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