Publicado 03 de Agosto de 2021 - 9h26

Por Correio Popular

A obesidade é um caminho livre para o desenvolvimento de doenças metabólicas e sua ocorrência pode ser classificada como epidêmica. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), mais de 18 milhões de pessoas estão obesas no Brasil. Se consideradas todas as que estão acima do peso, esse número salta para incríveis 70 milhões de pessoas.

A cada ano, esse contingente aumenta com o acréscimo de dois milhões de novos casos. O quadro é alarmante e, frequentemente, os riscos são ignorados ou subestimados. Mudanças nos hábitos alimentares, a falta de atividade física e o sedentarismo, entre outras causas, levam ao excesso de peso. Em consequência, surge uma série de complicações, como a diabetes e hipertensão, que, se não controladas, levam a infartos, acidentes vasculares cerebrais e outros distúrbios.

Em entrevista exclusiva ao nosso jornal, publicada no domingo, dia 1º de agosto, o dr. Hercio Cunha, especialista em cirurgia da obesidade, do aparelho digestivo, Coloproctologia, Balão intragástrico, Spatz, Stretta e Cirurgia Robótica, fez um alerta sobre o equívoco do adiamento das cirurgias bariátricas por conta da pandemia da covid-19. Para ele, esses procedimentos deveriam ser classificados como essenciais, devido às sérias implicações que o adiamento pode acarretar à saúde do paciente. Além disso, ele também rebateu a ideia preconcebida e discriminatória de que a obesidade é consequência da falta de esforço e disciplina.

No início do século XX, as moléstias infecciosas eram as principais causas de morte na população mundial, em razão das péssimas condições sanitárias da época. Hoje, as chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são as que mais levam a óbito no mundo, resultado das mudanças nos hábitos alimentares e de vida das pessoas. As DCNT incluem as enfermidades do aparelho circulatório, doenças respiratórias crônicas, diabetes, câncer e a própria obesidade. Juntas, elas respondem por 63% das mortes globais e a obesidade é fator de risco para algumas dessas enfermidades. Além do forte impacto socioeconômico sobre as famílias, elas ainda acarretam a perda de qualidade de vida, limitações e incapacidades.

Como bem pontuou o dr. Hercio Cunha, em sua entrevista, trata-se de um sério problema de saúde pública e que precisa ser tratado de forma sistêmica, mediante protocolos e campanhas educacionais, principalmente nas escolas, disseminando hábitos de vida saudáveis e alimentação correta e balanceada.

Escrito por:

Correio Popular