Publicado 22 de Julho de 2021 - 9h15

Por Correio Popular

Com mais da metade da população parcialmente protegida pela primeira dose da vacina contra a covid-19 e cerca de 200 mil pessoas imunizadas com as duas doses, Campinas avança rumo à normalidade cotidiana. Assim, cresce a pressão para a retomada gradual das aulas presenciais. Privados por mais de um ano do convívio escolar, da interação com professores e colegas e forçados a assistir aulas em ambiente remoto, esta geração de estudantes herdará da pandemia um prejuízo incalculável no seu desenvolvimento educacional.

Por outro lado, o risco de contaminação é real. Experiências anteriores de retomada das aulas foram marcadas por um aumento repentino da curva de contaminação. Em meados de março e abril, quando houve a primeira tentativa de reabrir as escolas em Campinas, surtos localizados, inclusive com óbitos, foram registrados e assustaram a comunidade. Há que se considerar que poucas pessoas haviam sido vacinadas até então e o Brasil começava a enfrentar a segunda onda da doença, provocada pela variante P1 de Manaus.

Segundo dados do Censo Escolar da Educação Básica MEC/Inep 2020, o retorno das aulas presenciais significa a circulação de 25% da população brasileira, correspondendo a 56 milhões de pessoas. O ineditismo de uma pandemia, a amplitude das dores, frustrações, tragédias e sofrimentos impostos por uma doença desconhecida, transmissível, letal, incurável e capaz de deixar sequelas em suas vítimas, merecia uma atuação harmoniosa e coordenada entre todos os entes federativos.

Infelizmente, esse cenário não se concretizou. Com a autoridade federal ditando rumos exóticos, governadores e prefeitos se viram forçados a adotar medidas duras e, ao mesmo tempo, confusas, dada à falta de uma voz uníssona que padronizasse as ações. O próprio termo "atividade essencial" ficou esvaziado. Em algumas cidades, por exemplo, enquanto as escolas públicas funcionaram em modo remoto, academias de esportes puderam ficar abertas. Nota-se uma assimetria de conceitos de atividade essencial no contexto do controle sanitário. Essa disparidade cria conflitos, distorções e injustiças em certos segmentos.

Assim, diante da falta de unicidade das ações de combate à pandemia no país, restam aos gestores locais e regionais tomar decisões polêmicas, mas que precisam ser encaradas com absoluta responsabilidade de homens públicos, visando salvar os interesses de milhares de estudantes e, ao mesmo tempo, garantir a saúde e a proteção das pessoas.

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