Publicado 20 de Julho de 2021 - 9h59

Por Do Correio Popular

A edição de domingo, dia 18, do nosso jornal publica um dado oficial do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que diz respeito ao milenar menosprezo ao gênero feminino. Segundo a Pasta, mais de 105 mil denúncias de violência doméstica foram registradas em 2020. Não há como comparar com 2019, porque o Ministério mudou a metodologia que não permite comparações. Segundo a pasta, a mudança possibilitou, por exemplo, o registro de mais de uma denúncia sob um mesmo protocolo. De todo modo, a misoginia e o machismo reverberam com força na sociedade.

A matéria aborda a história de uma mulher que viveu um relacionamento abusivo por 13 anos, marcado por extrema violência física, moral e psicológica. Após sobreviver a uma tentativa de feminicídio, teve a sorte, por assim dizer, de se livrar do seu algoz, graças a um desfecho inesperado. Sem entrar nos detalhes da tragédia pessoal, relatada em livro publicado pela própria vítima, trata-se de mais um entre centenas de casos de violência doméstica no país.

O fenômeno é uma ferida no seio da sociedade. Especialistas apontam que o sistema patriarcal é o causador deste mal. A misoginia era comum em diversos povos da antiguidade. Na Grécia antiga, por exemplo, o célebre filósofo Aristóteles afirmava que as mulheres eram "homens imperfeitos". Traços misógenenos também são encontrados em diversos livros históricos ou sagrados. Em alguns, a mulher é classificada de forma vil aos padrões civilizatórios atuais. O filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) era um fiel defensor do Iluminismo e da liberdade, mas não para as mulheres. Para ele, as meninas deveriam ser educadas para serem obedientes ao homem, seja o pai ou o marido.

Nota-se um acúmulo histórico de desvalorização ao gênero feminino. Porém, a medida que a luta dos movimentos feministas se intensifica, as mulheres conquistam mais espaço. Entretanto, a misoginia ainda se faz presente em todas as partes do mundo. Não se trata de uma guerra de sexos, pois essa hostilidade também afeta os homens, que se sentem obrigados a demonstrar virilidade e potência, mascarando suas fragilidades.

Portanto, essa forma de perceber as relações só traz malefícios, sobretudo às mulheres, mas também ao próprio homem misógino. Cabe à sociedade e ao poder público criarem campanhas que interrompam essa escalada de violência e conflitos, de modo que cada gênero, sobretudo o masculino, seja educado a respeitar as diferenças e conviver com respeito e dignidade.

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